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sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

CRÍTICA| OS CRIMES DO AMOR, DE MARQUÊS DE SADE

Marquês de Sade, o escritor controverso, 
libertino e censurado 

Arquivo pessoal

Escrito por Victor Hugo Sigoli de Campos 16/08/2025

No século XVIII teve um escritor na França chamado Donatien Alphonse François de Sade, conhecido como Marquês de Sade, ele também foi político, filósofo e militar, um dos maiores nomes da literatura erótica, originando o termo "sadismo" e censurado depois de sua morte por 150 anos. Famoso pela sexualidade libertina, escreveu muitos livros sobre o tema, quanto aos contos de "Os crimes do amor" não possuem tanta libertinagem, ainda assim, o autor segue à risca a ideia de pintar "os homens tais como são". 

O primeiro conto "A dupla prova" gira em torno de três personagens o duque Ceilcour, a baronesa Dolsé e a condessa de Nelmours. O duque tem 30 anos e pretende casar, mas só encontra superficialidade em suas pretendentes, em vez de franqueza, porém seu desejo é escolher a mulher que fosse imparcial com ele. Então, duas mulheres estão interessadas nele, Nelmours e Dolsé, as duas são viúvas, têm vinte e seis anos e desfrutam do mesmo status social, ele dá a elas festas, apresentações, espetáculos com vários luxos e mimos, e, no fim ambas rejeitam Ceilcour.

A segunda história é "Rodrigo" ou "A torre encantada" é sobre Rodrigo o Rei da Espanha, por um lado altivo e corajoso, pelo outro impiedoso e depravado. Após, enviar o Conde Julien para representá-lo em uma negociação, ele estupra e mata sua filha, e provoca sua vingança, ao mesmo tempo, uma tragédia desaba em cima da Espanha, o país é invadido pelo Imperador Muçá, líder do povo africano mouro, enquanto isso, o Rei tenta salvar os tesouros de suas conquistas, porém entra numa câmara que o leva ao Inferno onde vê as almas de suas vítimas na forma de monstros assustadores. "Dorgeville" ou "Criminoso por virtude" é a terceira pequena novela de Sade, e é protagonizada pelo jovem francês Dorgeville, na infância foi para os Estados Unidos morar com o tio, e ele morre deixando-lhe grande herança. O sonho do rapaz é casar com uma mulher vulnerável, e encontra uma moça chamada Cécile caída na floresta segurando seu bebê, então fica muito comovido e resolve acolhê-la em sua casa, com interesses afetivos, logo depois ele vai à casa da família dela conhecer seus pais, mas a relação entre eles é repleta de brigas.     

"A Condessa de Sancerre" ou "A rival da filha" é a quarta novela do livro e é sobre a paixão de Monrevel, jovem e nobre cavaleiro membro da corte francesa, e Amélie de Sancerre, filha de um grande conde e general do Rei Carlos. Tanto o conde, quanto o Rei querem ver o rapaz e a moça casados, entretanto, existe uma personagem que pode destruir o romance dos dois, a mãe de Amélie, a Condessa, deseja o genro Monrevel.

Todos os contos abordam a relação entre homens e mulheres de forma "8 ou 80", fazendo das mulheres vilãs de três novelas dentre as quatro apresentadas, as antagonistas na vida dos protagonistas masculinos, a única diferente é a segunda, a qual, o vilão é Rodrigo, rei espanhol que após usurpar violentamente do poder acaba por ter um destino perturbador e trágico, merecidamente, na visão do escritor. A sociedade francesa era muito hipócrita no entendimento de Donatien, "A dupla prova"  traz um homem atrás de aprovação feminina, exigindo lealdade e oferecendo regalias e dinheiro, os homens especificamente, são esnobados ou traídos, e ainda, buscando se apaixonar por meio de vitimização da mulher, como mostra em "Dorgeville", "A Condessa de Sancerre" parte de uma ideia devassa, o que Sade queria ao criá-la ? Ele, simplesmente, quebra a tradição dos casamentos planejados da monarquia de maneira chocante, todavia, muitas vezes, tratava-se de matrimônios consanguíneos, logo ele não viu problemas em elaborar uma história sobre uma mulher apaixonada pelo genro.

Marquês de Sade era ateu e acreditava que a religião e casamento destroem a vida do homem, e isso explica porque os relacionamentos de suas narrativas não se mantêm e a ausência de menções religiosas destacam o quão anticatólico ele era. Está presente o argumento de quanto mais uma mulher é empoderada, pior ela é, entretanto, Donatien foi uma pessoa muito controversa, foi censurado e preso por Robespierre em 1789, devido ao posicionamento religioso. Seu histórico de atitudes extremas inseridas em seus livros, mostram que sempre há abertura para discussões, portanto, lê-lo é interessante e traz reflexões sobre as mudanças de comportamento ocorridas nos últimos dois séculos.   

País de origem: França

Nome: Os crimes do amor 

Autor: Marquês de Sade

Editora (original): - 

Editora no Brasil: L&PM Pocket 

Ano de publicação original: 1800

Ano de publicação no Brasil:  2014

Número de páginas: 183 


 

    


                


sábado, 28 de junho de 2025

CRÍTICA| TEX - VOL 6: O VALE DO TERROR, DE GIAN LUIGI BONELLI

A Hq antiga de Velho Oeste que mistura terror com ação 



Escrito por Victor Hugo Sigoli de Campos 
em 08/12/2024
Arquivo pessoal

O "texas ranger" Tex Willer se encontra num vale em meio a uma escuridão aterrorizante, este é o Vale do Terror, uma região onde misteriosos assassinatos estão acontecendo, e Tex está lá a pedido da autoridade da cidade de Morelos para solucioná-los. Ele, deve atravessar o Vale para chegar na pequena cidade...então adentra a escuridão, enquanto ouve sons de tambores vindo de algum lugar. Depois de caminhar por algum tempo com seu cavalo, chamado “Dinamite”, encontra um acampamento de cowboys e, eles contam a Tex os acontecimentos, há dois anos pessoas são decapitadas na planície e suas cabeças são roubadas pelo assassino, e os vaqueiros creem que a nova vítima seja seu amigo Slim 

Então, surge uma versão explicando os macabros acontecimentos da região, a de Ben, morador de Morelos, diz ao protagonista ter sido seguido à noite por um macaco de dois metros de altura correndo a cavalo e empunhando um facão. Willer e os vaqueiros começam a investigar a região, encontram pegadas de macaco, e uma trilha seguindo para uma montanha junta ao “O Lago da Águia”, agravando ainda mais o mistério, é dito que o local era usado por índios comanches em rituais.  

Nas imediações do vale há uma fazenda, onde vivem um senhor chamado Juan Barrera, sua filha Gilda e uma índia chamada Mayumba que trabalha na casa. Tex conhece os moradores da casa, eles falam sobre o medo do “primata assassino”, ele se empatiza por Juan e resolve uns problemas para Gilda, mas com Mayumba a relação é hostil. A população da pequena cidade acredita em ser sobrenatural, porém Tex crê que se trata de um ser humano.  

Gian Luigi Bonelli compõe a história "O Vale do Terror" com os elementos clássicos das histórias de Velho Oeste, cowboys confrontando um perigo, uma pequena cidade no meio de um vasto deserto, um vale misterioso, conflitos entre brancos e índios, de forma bastante "inocente", pois a maior parte do público era infantil, porém, o resultado da experiência de leitura é um grande interesse em conhecer mais sobre aquele período, por meio de mais livros, HQs e filmes entre outras produções. O autor une aspectos ficcionais à realidade, o gorila assassino em uma cidade do Velho Oeste que foi desenhada de forma bastante fiel, os estabelecimentos - bar, delegacia, deserto, casa dos Barrera - entre outras localidades de destaque, Lago da Águia, O Vale do Terror, assim como, o município Morelos localizado no México. Tem um enredo cheio de ação e perigos, em uma época distante e muito hostil e misteriosa.    

País de origem: Itália

Nome: Tex - O Vale do Terror

Autor: Gian Luigi Bonelli

Editora: Bonelli Editore

Ano de publicação: 1977

Número de páginas: 113


O segundo da esquerda para direita é Tex Willer.
E, os outros são os vaqueiros a procura de seu amigo Slim.

A Fera com seu facão perseguindo suas vítimas à noite. 


Tex no Vale do Terror.



O Lago da Águia uma das localidades mais emblemáticas da história.


sábado, 22 de março de 2025

CRÍTICA| HOLOCAUSTO BRASILEIRO, DE DANIELA ARBEX

Rico em informações e nuances,
 livro aborda e explana uma das maiores 
tragédias do Brasil 



Escrito por Victor Hugo de Campos
em 05/03/2023



"Holocausto Brasileiro" é um livro-reportagem escrito pela jornalista Daniela Arbex, sobre o maior hospício que existiu no Brasil, o Colônia, em Barbacena - Minas Gerais, apresentando um grande levantamento histórico, de sua fundação em 1903 ao seu fechamento em 2006, com histórias de pacientes e funcionários, descrições dos acontecimentos, fotos antigas e atuais. A instituição foi construída na Fazenda da Caveira, propriedade de Joaquim Silvério dos Reis, seu primeiro diretor foi Dr. Joaquim Antônio Dutra. Durante décadas acumulou denúncias e controvérsias, foi comparado a campo de concentração nazista pelo psiquiatra italiano Franco Basaglia e teve sua realidade exposta internacionalmente por vários médicos e jornalistas. 



Muitos dos pacientes eram apanhados na Estação Bias Fortes (BH) e iam para o Colônia no "trem de doido", nome dado por Guimarães Rosa ao transporte que os levava ao seu destino, aos vinte anos Marlene Laureano foi contratada em 1975, ela ia ser atendente psiquiátrica, sua função era tratar o capim que os pacientes comiam e no seu primeiro dia de trabalho se deparou com um cadáver no meio dos pacientes. Geraldo Magela Franco era vigilante, foi admitido em 1969 e saiu 1998, viu diversos fatos na instituição, diz para jornalista que não tinha recomendações para lidar com os pacientes, aprendeu com os mais velhos, por exemplo, aplicar e dar remédios, quando se exaltavam ou ficavam irritados davam injeções para se acalmarem, em casos de epilepsia também usavam injeções para tratá-los.  



O tratamento problemático está além da falta de preparo na aplicação de medicamentos e enfermeiros e médicos incompetentes, os pacientes contraíam doenças e sofriam humilhações, bebendo água do esgoto, ficavam dias sem roupas, estupros e espancamentos eram praticados tanto por funcionários, quanto pelos próprios pacientes. No Brasil, até o começo do século XXI, eram comuns internações por doença mental acontecerem sem diagnóstico, no Hospital Colônia de Barbacena, a maioria dos internados não tinham doenças mentais, alcoólatras, homossexuais, mulheres engravidadas por seus patrões, epilépticos, melancólicos, mendigos, tímidos, muitas pessoas foram colocadas pela própria família. 


Em 1961 o Secretário Roberto Resende estava preparando uma varredura na área de saúde e atraiu a atenção da imprensa, logo as tragédias começaram ser reveladas pela revista "O Cruzeiro" e pelo jornal "O Estado de Minas", a revista carioca enviou o jornalista José Franco e o fotógrafo Luiz Alfredo, pelo periódico mineiro foram Hiram Firmino e Jane Faria. No dia 14 de maio de 1961 a reportagem de Franco e Alfredo foi publicada com o título "A sucursal do Inferno", os registros revelaram um local de degradação humana, com mortes em massa e sistemáticas, a investigação mostrou a realidade sádica da instituição, chocando profundamente os jornalistas, entretanto o Centro Psiquiátrico de Barbacena não foi atingido. Pelo jornal estadual Hiram e Jane produziram a matéria intitulada "Os Porões da Loucura" em 1979, eles entraram no hospício após conseguirem permissão do Secretário de Saúde, Eduardo Levindo Coelho, Hiram passou o dia inteiro entrevistando pacientes, coletando informações, observando métodos e condições às quais eles eram submetidos, pois buscou retratar a vida no local e o trabalho culminou numa matéria triste e reveladora de injustiças, manipulação, abusos, violência.



Também, naquele ano (1979) veio ao Brasil o psiquiatra italiano Franco Basaglia responsável pela reforma psiquiátrica na Itália, ele comparou o Colônia aos campos de concentração nazistas, e disse que precisavam fechá-lo imediatamente. O psiquiatra Ronaldo Simões Coelho se formou pela Universidade Federal de Minas Gerais em 1959 e, no final dos anos 70 era chefe do serviço psiquiátrico da Fundação Hospitalar do Centro Psiquiátrico do Estado de MG (Fhemig), no terceiro III Congresso Mineiro de Psiquiatria discursou denunciando o Colônia e suas atrocidades, ele foi demitido da Fhemig, mas sua atitude impactou a ala médica e política do país, a partir dessa necessidade foi criada a Lei Federal 10.261/2001 com base em um Projeto do Deputado Federal Paulo Delgado (PT - MG), para regulamentar a saúde mental, desativar hospitais psiquiátricos, incluindo o Colônia, e reestruturar sistema psiquiátrico.

Acima e, à direita R. S. Coelho em foto de 1970 e abaixo em foto mais recente. 




O leitor se vê diante de muitas informações de épocas passadas, contudo refletir sobre o Genocídio do Colônia de Barbacena, que aconteceu por décadas, é uma oportunidade de conhecer o Brasil do século passado nas questões de saúde mental e sua relação com o Poder Público, sua fundação foi no período da República Velha, quando a política era autoritária e centralizadora, portanto, muitas pessoas foram mandadas para o Colônia, porque foram subjugadas por famílias muito ricas, oligarcas, juízes, advogados, entre outras pessoas "com poder político". As mortes sistemáticas e com requintes de crueldade foram expostas por jornalistas e médicos levando ao fechamento, porém nunca houve punições. Daniela Arbex escreveu um grande marco do jornalismo investigativo, entrevistas com vítimas e várias fontes, relatando perspectivas, abordagem nua e crua dos fatos, contextualizando a época de cada fato apresentado, mais um grande marco é a discussão sobre saúde mental e a incompetência das instituições de saúde em uma época que a sociedade brasileira clamava e precisava de transformações.

País de origem: Brasil 

Nome: Holocausto Brasileiro 

Autora: Daniela Arbex 

Editora: Intrínseca 

Ano de publicação: 2013

Número de páginas: 277


sábado, 16 de março de 2024

CRÍTICA| O CRIME DO PADRE AMARO, DE EÇA DE QUEIRÓS

Crítica e questionamento sobre a Igreja

Por Victor Hugo Sigoli de Campos

Data: 08/03/2024






O livro é de 1875, e foi escrito pelo português Eça de Queirós com base nos princípios do realismo-naturalismo – um movimento artístico cuja ideia é a de que o comportamento do ser humano é moldado pelo meio onde nasce ou em que é criado. Amaro Vieira vai ao distrito de Leiria nas proximidades de Lisboa substituir o pároco recém - falecido José Miguéis, na Igreja da Santa Sé, ele fica hospedado na casa de Augusta Caminha uma assídua devota e se apaixona por sua filha, Amélia.          

Amaro presencia seu mestre, o cônego João Dias tendo relações sexuais com Caminha e entende que pode fazer o mesmo com Amélia, e vai coagindo-a em todos os momentos quando ficam sozinhos, e desperta os ciúmes de João Eduardo, o noivo da moça, e entra em conflito com o rapaz. A história critica a religião, também é interessante observar que a narrativa aborda aspectos psicológicos dos personagens, principalmente, a temática de opressão da libido imposta pela doutrina.  

João Eduardo conta ao redator Agostinho do jornal A Voz do Distrito sobre a má conduta clerical em Leiria, e o amigo publica um artigo relatando a imoralidade e corrupção religiosa de “alguns padres” da cidade. A publicação assusta Amaro, João Dias, entre outros confrades, a opinião pública sobre a igreja é impactada, e suas reputações ficam ameaçadas.        

Leitura de trecho da página 75: “Amélia todo o dia pensou naquela história. De noite veio-lhe uma grande febre, com sonhos espessos, em que dominava a figura do frade franciscano, na sombra da do órgão da Sé de Évora. Via os seus olhos profundos, reluzirem numa face encovada: e, longe, a freira pálida, nos seus hábitos brancos encostada às grades negras do mosteiro, sacudida pelos prantos do amor! Depois, no longo claustro, a ala dos frades caminhava para o coro; ele ia no fim de todos curvado, com o capuz sobre o rosto, arrastando as sandálias, enquanto um grande sino no ar nublado, tocava o dobre dos finados. Então o sonho mudava; era um vasto céu negro; onde duas almas enlaçadas e amantes, com hábitos de convento e um ruído inefável de beijos insaciáveis, giravam, levadas por um vento místico; mas desvaneciam-se como névoas, e na vasta escuridão ela via aparecer um grande coração em carne viva todo trespassado de espadas – e as gotas de sangue que caíam dele enchiam o céu de uma chuva escarlate”. O trecho é um sonho de Amélia e revela um aspecto psicológico, o desejo sexual pelo padre, pois, está em um ambiente religioso, e exposta ao seu assédio.

A marquesa de Alegros foi a preceptora de Amaro, e deu a ele educação religiosa como forma de pagamento pelo trabalho do seu pai na sua fazenda, e introduziu-o na vida teísta. Na infância, a condessa viu o comportamento dele como muito libidinoso, então desde cedo o padre foi ensinado a suprimir o desejo sexual, assim como, Amélia filha de uma mulher muito devota, e instruída por ela a conservar a virgindade para se casar “pura”. O dogma impede a natureza sexual de despontar, obstruindo o autoconhecimento, gerando consequências na vida dos personagens.  

O padre Amaro sabe que se apaixonar está errado, no entanto, ele segue com seus desejos, em cada interação com a jovem cristã, ele a seduz olhando, tocando, falando, até corromper os celibatos de ambos. Amélia entende que a relação com seu preceptor é problemática, mas está exposta a ele, e se sente impedida de falar à mãe sobre os abusos do pároco, por medo de punições. Os amantes permanecem se encontrando por vários meses, enquanto a obsessão e manipulação de Amaro aumentam, e Amélia fica oprimida, isolada e incapaz de reagir. 

Eça de Queirós escreveu um livro reflexivo sobre a Igreja cujo público são os fiéis, desenvolve a relação deles com os padres, caracterizados como falsos, controladores, controversos, no século XIX quando Portugal ainda era um país extremamente católico. Naturalmente, o livro caiu como uma bomba sobre a sociedade sendo rechaçado pela Igreja Católica, pois seu enredo é irônico e satírico, em alguns momentos repudiamos os eclesiásticos e nos outros rimos de suas peripécias, eles pregam ideais, mas descumprem, manipulam os devotos para benefício próprio, distorcem os conceitos de fé e usam a religião para alcançar o poder. Existem clericais que dão paz, alento, perdão, aos seus seguidores, e Queirós reconhece isso, porém, a sua ideia é desconstruir uma das instituições mais simbólicas do ocidente, postulante de valores e costumes, enfatizando desde a educação recebida pelos religiosos, e chegando a ponto de deturparem a doutrina, assim sendo, Amaro é um padre que está conflito consigo mesmo e pervertendo a fé.        


Ficha técnica do livro


País de origem: Portugal


Nome: O Crime do Padre Amaro   


Autor: Eça de Queirós


Editora original: -


Ano da publicação original: 1875


Editora no Brasil: Círculo do Livro


Tradução: -


Ano de publicação: -


Páginas: 490