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quarta-feira, 8 de julho de 2020

CRÍTICA | AS AVENTURAS DE TOM SAWYER, DE MARK TWAIN

Com bom humor e leveza Mark Twain aborda a infância de sua época         

  Escrita em 30/06/20 por Victor Hugo Sigoli de Campos                                    

      



“As Aventuras de Tom Sawyer” foi publicado em 1876 por Mark Twain, pseudônimo de Samuel Langhorne Clemens. Tem o objetivo de retratar a infância, baseado na própria infância do escritor, vivida trinta anos antes, em Hannibal, cidade do Missouri. 

Tom Sawyer é um garoto de dez ou onze anos que vive com sua tia Polly e os primos Sid e Mary. É o típico povoado pequeno de interior, onde mora uma comunidade em que todos se conhecem, se reúnem, frequentam a casa uns dos outros, e cheio de superstições. Assim como muitos garotos da sua idade, Tom gosta de brincar com os amigos, flertar com garotas, não gosta muito dos mais velhos e, é muito hiperativo e astuto. Seus melhores amigos são Huckleberry Finn e Joe Harper, e Becky Thatcher é a garota de seus sonhos.       

O autor é o narrador-observador, desenvolve os personagens com imparcialidade e sem interagir com eles, mas, como o mesmo declara Sawyer e Finn existiram e as aventuras são o reflexo da realidade. A história “O escaravelho e o cão” nos apresenta o lado travesso do protagonista. Os contos “O alegre acampamento de piratas” e “No covil de Injun Joe”, destacam à personalidade aventureira e audaciosa de Tom, Finn e Joe. Todas as aventuras se passam em 1876, onze anos após a Guerra Civil norte-americana e o livro não discute as consequências do conflito, mas o racismo é um problema perceptível na sociedade dessa época, embora o autor não se aprofunde.

O fato dos protagonistas serem crianças não leva o leitor a ver os erros que eles cometem, e isso não é necessariamente um equívoco, pois, quando somos crianças não percebemos os erros que cometemos. Enquanto, os adultos são abordados como autoritários e ignorantes, e são colocados como os antagonistas da história. Mark Twain escreveu com realismo e leveza sobre sua infância e a de seus amigos. 


Ficha Técnica

Nome: As Aventuras de Tom Sawyer

Autor: Mark Twain

Editora: Nova Cultural

Número de páginas: 221



                                       


sexta-feira, 19 de junho de 2020

CRÍTICA | O VELHO E O MAR, DE ERNEST HEMINGWAY

             Livro conta a jornada de um homem comum

 Escrita em 23/01/2020 por Victor Hugo Sigoli de Campos    



Um homem desbravador, animais marinhos, alto – mar, barcos, o livro de Ernest Hemingway possui os melhores elementos para uma grande aventura. O livro nos apresenta Santiago, um pescador que mora em Havana, com muitas experiências acumuladas ao longo da vida, tais como, caçadas pelo mundo e o falecimento de sua esposa, mas não pesca um só peixe há três meses.                                                                                                                                                    

O seu ajudante que ele chama de “rapaz” é o garoto Manolin, que não pode mais pescar, porque os pais o impedem devido à escassez pela qual passa o seu empregador. Quando Santiago e o garoto conversam sobre baseball e o pescador mostra sua admiração pelo lendário jogador dos Yankees, Joe DiMaggio, vemos similaridade entre ficção e realidade, pois pra nós é como uma conversa sobre futebol, e começamos a ter mais empatia pelo protagonista que pouco conhecemos, por causa de Manolin e à afeição que sente por ele, que aceitamos sua personalidade e suas motivações. Então, o experiente “caçador dos mares” promete ao garoto trazer um peixe que iria cobrir a carestia que estavam enfrentando e, embarca em sua aventura.                                                                                         

No início do trajeto Santiago consegue apanhar peixes pequenos, atum, para se alimentar ao longo da viagem e, estando só e muito distante da terra – firme, é normal vê-lo externar todos os seus pensamentos e o vemos conversar com os peixes e tratá-los como se fossem “amigos”, compreendê-los por tentarem se defender dele, e enquanto nós o compreendemos como um trabalhador comum à procura do seu sustento. Após alguns dias no mar o seu anzol é finalmente mordido por um animal maior do que os anteriores, e simplesmente sai arrastando o canoa do experiente pescador. É o início de um grande desafio, um peixe que estava oferecendo resistência, e é em momentos como esse, que ele se deita no bote e sonha com a época que caçava leões na África. 

O Velho e o Mar conta uma história rica em detalhes que abordam com realismo e sensibilidade a vida de um homem simples, por exemplo, como fazer para prevenir constipações sem ter levado qualquer tipo de remédio para sua empreitada e o instante que um avião sobrevoa Santiago significa, que existem ilhas e países ao longe e ele está em “seu mundo”, no mar traçando seu destino. O ato final é incrível, o confronto entre ser humano e animal se intensificar, e as escolhas narrativas do autor se justificam na coragem do seu protagonista. É um livro premiado com o Pulitzer de Melhor Ficção em 1952, com muita verossimilhança sem deixar de lado a fantasia é uma obra que presenteia a literatura contemporânea.


Ficha Técnica 

Nome: O Velho e O Mar

Autor: Ernest Hemingway

Editora: Civilização Brasileira 

Número de páginas: 132