Translate

Mostrando postagens com marcador História em Quadrinhos de Super-Heróis/ Ação/Aventura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador História em Quadrinhos de Super-Heróis/ Ação/Aventura. Mostrar todas as postagens

sábado, 1 de outubro de 2022

CRÍTICA | A PIADA MORTAL, DE ALAN MOORE E BRIAN BOLLAND

                          A graphic novel que renovou o Coringa 

Escrita por Victor Hugo Sigoli de Campos 04/09/2022



A história em quadrinhos é protagonizada pelo Batman e aborda sua relação com seu principal inimigo, o Coringa, que após fugir do Asilo Arkham ataca o comissário Jim Gordon e sua filha Bárbara, para enlouquecê-los. Alan Moore e Brian Bolland contam visões em épocas diferentes, no presente – ano de publicação da hq – e passado, vindo a se complementarem no final. 

Os flashbacks apresentam um comediante fracassado que se chama Jack, ele criar sua família honestamente, mas cede ao crime organizado para sobreviver, a arte em preto e branco de Bolland já enunciam as memórias ao leitor, e o vermelho nos camarões e capacete destacam seus conflitos internos. Moore faz referência à “O Homem do Capuz Vermelho” de 1951 e a narrativa ganha um significado maior... Na linha temporal principal o visual é colorido de forma contida, mantendo a estética dramática, alinhando cenas do passado com o presente.  




Batman anda por Gotham City à procura de Jim, interroga muitos criminosos cumprindo de forma automática à sua função de levar justiça, e se questiona “Como duas pessoas que não se conhecem podem se odiar tanto?”. Em uma sequência de cenas sem diálogos o leitor compreende que o herói por não ter ajuda de seus aliados, não controla a situação. Têm referências clássicas do cânone do personagem, antigos inimigos, Bat-Família, e Bat-sinal no telhado da delegacia.

Me questiono sobre o envolvimento dos funcionários do parque de diversões nos planos do Coringa, e os dois capangas que invadem a casa de Gordon e depois desaparecem da história, creio que tenham sido ameaçados pelo vilão...Nas duas situações prevalece a imaginação do leitor. Inteligente, insano, engenhoso, entre tantas facetas, até a tragicômica do personagem se destaca. Seu argumento, “todos só precisam de um dia como o que eu tive para ficar louco”, para ele a loucura é coletiva e tenta espalhar sua ideia, e Batman sendo a personificação da justiça é o oponente perfeito.

O título “A Piada Mortal” se refere à charada que o Coringa conta ao Batman no final, que explica a relação e como um se sentem em relação ao outro. O objetivo dos autores ao escreverem-na é, o surgimento da rivalidade entre um super-herói e seu arqui-inimigo, este tornando-se um “grande vilão”, criado não apenas para espalhar o caos e ser preso, mas ter sua ascensão e crescimento, e problematizar também o simbólico super-herói.              








Ficha Técnica da HQ

País de origem: Estados Unidos/ Reino Unido 

Nome: A Piada Mortal 











sábado, 24 de julho de 2021

CRÍTICA HQ | BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS, DE FRANK MILER, KLAUS JANSON E LYNN VARLEY



Escrito por Victor Hugo Sigoli de Campos em 23/07/2021 


 
   

A trilogia Batman O Cavaleiro das Trevas foi publicada em 1986 pela editora DC Comics. Tendo o primeiro volume roteirizado por Frank Miller e desenhado por Klaus Janson, e a sequência, lançada em 2001 também é escrita por Miller e desenhada por Lynn Varley. 

A saga passa-se em contexto distópico, no qual, o Batman (Bruce Wayne) está aposentado e, amargurando traumas do passado, como a morte de seus pais. O Super-Homem é o único super-herói considerado “legítimo” pelo governo dos Estados Unidos, fazendo com que seus ex-companheiros de Liga da Justiça, sejam proibidos de atuarem contra o crime, levando o Cavaleiro das Trevas a ter muitos confrontos com a polícia de Gotham. O desespero da população pelo fim do mundo e a violência imperando numa cidade caótica, retratam o período e o clima da Guerra Fria, o mundo à espera de heróis para ser salvo, o cerne da histórias de super-heróis.

Na ausência do Homem-Morcego a criminalidade atingiu seu auge com a Gangue Mutante, que o Vigilante deve enfrentar para salvar a cidade, além, de se vingar de seus inimigos, Coringa e Harvey Duas-Caras. À medida que a trama avança, Batman, e Carrie Kelley “a nova Robin”, combatem o crime e derrotam a Gangue Mutante. Vamos falar sobre a arte. Janson apresenta e caracteriza todos os elementos da história, com traços detalhistas que expõem ao leitor as características psicológicas de cada personagem, e também à ação, ilustra sequências de ações noturnas empolgantes.  




 

                                                                                                                                                                         Google Imagens







Arquivo Pessoal




                                                                                                        Arquivo Pessoal 
Arquivo Pessoal 

                                                                              
Google Imagens 



Ao confrontar seus velhos inimigos, Duas-Caras e Coringa, roteiro e ilustração unem-se de forma eficaz, ao enfrentar o primeiro, o roteirista e o desenhista, expõem similaridade entre os dois personagens. Contra o segundo, o leitor disserta sobre o novo objetivo do herói, à justiça ou à vingança?
O Cavaleiro das Trevas 2 passa-se tanto em Gotham City, quanto em Metrópolis, aborda mais o envolvimento do Super-Homem com a história. O arco do Homem de Aço é abordado com trechos de telejornais que possuem várias combinações de cores, por exemplo, preto e verde, azul e preto, rosa e laranja, considerando o contexto totalitário da obra, os telejornais coloridos são um simulacro que encobre a realidade que o país enfrenta. As características matizadas da sequência contrasta com o aspecto soturno de O Cavaleiro das Trevas.

Janson desenvolve o visual de quadrinho a quadrinho, apresentando a ação e o local onde ela acontece, mas na sequência não é possível entender onde transcorre a ação, percebemos também a desproporcionalidade nos traços, por exemplo, nos corpos de alienígenas. O roteiro é focado no desenvolvimento dos protagonistas, e Miller mira suas críticas aos jornalistas, políticos e psicólogos. A caricatura de políticos e o presidente dos Estados Unidos ser um holograma, demonstram o objetivo de escarnecer os governantes, que não seriam capazes de salvarem suas nações se os vilões das histórias em quadrinhos existissem, assim, inserindo os leitores no contexto da obra.       




Arquivo Pessoal 

Sistematicamente, critica os jornalistas, porque, são sensacionalistas e desinformam de forma expoente os telespectadores, e agravam o caos social. O roteirista escarnece o psiquiatra Fredric Wertham, autor do livro, Sedução do Inocente, que foi publicado em 1954, e alertou os leitores sobre a tese das histórias em quadrinhos serem um fator para delinquência juvenil, inserindo um psiquiatra que se apresenta em telejornais dirigindo ataques ao Batman e a polícia de Gotham City, e defendendo Coringa e a Gangue Mutante.

Batman e Superman, ambos querem salvar a humanidade e não poupam esforços para cumprirem os seus objetivos, mas um precisa do outro para enxergar a verdade, podemos deduzir que para o Batman a humanidade deve ser dominada, mas o Superman deve liderá-la. Batman O Cavaleiro das Trevas é baseado no universo do personagem, considera seu surgimento, seus aliados, e seus inimigos, formam a base do roteiro, a Guerra Fria, crítica política e crítica aos formadores de opinião, demonstram que a narrativa possui o objetivo de situar os leitores no período de tensão entre Estados Unidos e União Soviética. A essência dos super-heróis sempre foi a justiça, verdade e coragem, o roteiro releva todas as características dos personagens, e demonstra que o ideal sempre foi levar entretenimento e princípios às crianças e adolescentes.


Arquivo Pessoal

 Saiba quem foi Fredric Wertham: Clique Aqui


Ficha Técnica

Nome: Batman - O Cavaleiro das Trevas

Autor: Frank Miller, Klaus Janson, Lynn Varley

Editora: DC Comics/ Panini

Número de páginas: 512