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sábado, 22 de abril de 2023

CRÍTICA| A GAROTA DA CASA AO LADO, DE JACK KETCHUM 

Um horror real, baseado em um crime real


Por Victor Hugo Sigoli de Campos

Data: 23/03/2023



O livro é protagonizado por David Moran relatando e refletindo sobre uma sequência de fatos que levaram ao assassinato de Megan Loughlin, e seu envolvimento na morte dela. Passando-se em Virgínia do Oeste, na comunidade de West Maple, no verão de 1958 Meg (14 anos) e Susan perdem o pai e a mãe em acidente de carro e são obrigadas a morar com a tia, Ruth Chandler e seus filhos, Donald e Willie Junior (ambos 13 anos) e Ralphie (10 anos). David (12 anos) é o melhor amigo de Donny, visita com frequência ele e sua família, pois, são vizinhos. A casa dos Chandler ilustrada abaixo, uma típica casa de classe média dos Estados Unidos.    




Trecho da parte 1 - capítulo 1 - página 27 – 28: “Tenho 41 anos agora. Nascido em 1946, exatos dezessete meses depois de lançarmos a bomba sobre Hiroshima. Matisse tinha acabado de fazer 80 anos. Eu ganho 150 mil por ano, trabalhando no pregão em Wall Street. Dois casamentos, sem filhos. Uma casa em Rye e um apartamento da empresa na cidade. Eu ando em limusines para ir à maior parte dos lugares, mas em Rye dirijo uma Mercedes azul.  

Pode ser que eu esteja prestes a me casar novamente. A mulher que eu amo não sabe do que estou escrevendo aqui – nem minhas outras esposas tinham conhecimento de nada disso – e eu realmente não sei se algum dia pretendo contar a ela. Por que eu deveria fazer uma coisa dessas? Sou bem-sucedido, calmo, generoso, um amante diligente e atencioso.   

E nada na minha vida esteve certo desde o verão de 1958, quando Ruth, Donny, Willie e o restante de todos nós conhecemos Meg Loughlin e a irmã Susan”.    

  

Ao fim da avenida Laurel há uma floresta com uma mata escura e um riacho conhecido como a Grande Pedra, onde Dave e Meg se conhecem quando estão brincando na margem. Por baixo dessa visão encantadora se esconde uma verdade terrível, revelando-se aos poucos ao leitor. David não participa, no entanto, presencia e não fala a ninguém os acontecimentos, assim como, todos os moradores do bairro também sabem.  

 




Trecho da parte 2 - capítulo 9 - página 84 – 85: “O rosto de Ruth parecia muito cansado. Como se o arroubo de fúria tivesse sido tão forte a ponto de drená-la. Ou talvez o que eu estivesse vendo fosse apenas um pedaço de alguma coisa, de algo maior, alguma coisa que vinha acontecendo sem ser notada por mim já fazia um tempinho, e isso era exatamente como um tipo de crescendo em um disco.  

No entanto, a outra coisa que eu vi foi o que me deixou abalado até hoje, o que me deixou confuso. Até mesmo naquela época, isso me levou a pensar.  

Logo antes de me jogar para atrás, quando Ruth se virou, parecendo magricela e cansada, com a mão no ombro de Susan. Apenas naquele instante, enquanto ela se virava.  

Eu poderia jurar que ela estava chorando também.  

 

E minha pergunta: é por quem?” .

 

 

O período pós Segunda Guerra Mundial é “pano de fundo”, pois, nessa época os Estados Unidos se consolidaram como a maior potência mundial, logo, as pessoas que sofreram por causa do conflito ficaram traumatizadas psicologicamente, o bunker construído por - William James Chandler o ex-marido de Ruth, que abandonou ela e os filhos - simboliza os medos criados pelo conflito influenciando a sociedade, também, humanizando personagens problemáticos. Ruth manipula seus filhos contra a sobrinha, usando o interesse sexual deles por ela...Humilham, agridem e torturam Meghan no esconderijo, enquanto, ela se interpõe, corajosamente, entre eles e a irmã, para defendê-la. Baseado em um caso real A Garota da Casa ao Lado: a história, o livro e o filme | DarkBlog | DarkSide Books, a experiência se torna, ainda mais perturbadora, naturalmente, nos inserimos na história.

 

Dave fala sobre o dilema ao qual esteve envolvido, entre denunciar o crime, ou omiti-lo, após 41 anos da tragédia, lembra-se dos arrependimentos, insegurança, dor, e as consequências que afetam seus relacionamentos, pois, é incapaz de sustentar um casamento, e precisa revelar ao leitor essa história e seus sentimentos para superar seu trauma e seguir com sua vida. Prevalece a voz do narrador-personagem, afinal, ele sabe todos os fatos, ainda assim, é bastante questionável sua honestidade, vide o seu envolvimento. Compreendo como um erro a parte 5, pois, é incoerente e Ketchum extenua a experiência, mesmo assim, o texto e temáticas fazem a leitura valer muito a pena, sua escrita é intensa e os diálogos são diretos e ásperos, abordando com intimismo e crueza a terrível realidade. 

   

Ficha técnica do livro/ HQ  


País de origem: Estados Unidos


Nome: A Garota da Casa ao Lado  


Autor: Jack Ketchum 


Editora original: Lány agave 


Data original de publicação: 1989 


Editora no Brasil: Darkside Books 


Tradução: Ana Death Duarte  


Data de publicação: 2020 


Páginas: 279 




sábado, 4 de março de 2023

CRÍTICA HQ| SIN CITY: SEXO E VIOLÊNCIA, DE FRANK MILLER

Uma narrativa visual eficiente, inventiva e envolvente 

Por Victor Hugo Sigoli de Campos 

Data: 23/02/2022




História em quadrinhos neo-noir produzida por Frank Miller, parte do cânone da série Sin City. Um homem está dirigindo em uma tempestade de neve à noite, quando encontra uma mulher caída na estrada e decide ajudá-la, ela se chama Delia e está de vestido azul e um casaco, e consegue carona com Phil. Ao longo do trajeto os dois desconhecidos começam a conversar e, de repente, estão flertando.

Em sua mente o rapaz revela seus desejos ao leitor, e Delia, convenientemente, fala o que ele quer ouvir. Ao parar o carro vão para Os Poços de Piche de Santa Yolanda, uma área com floresta e estátuas de dinossauros, um local estranho para transar... A arte, bela e assustadora, indica como a situação vai terminar, observe a harmonia, entre texto e visual nessa parte.





O quadrinho é desenhado em preto e branco com traços bastantes realistas de Miller, Phil está apreensivo desde o início, e Délia, embora, converse com ele querendo agradá-lo, seu vestido e seus olhos azuis simbolizam frieza e apatia. “Sexo e Violência” é um conto do cânone da série, uma história de cotidiano sobre os moradores da cidade, similares às pessoas comuns.


O estilo noir destaca separadamente todos os elementos da imagem, a adição de cores desenvolve os personagens, e o roteiro conciso torna essencial para a narrativa o aspecto visual, pois, a mensagem é transmitida nos eficientes traços e tinta de Frank Miller.

 Clique aqui e baixe Sin City - Sexo e Violência






Ficha técnica da HQ 

País de origem: Estados Unidos 

Nome: Sin City: Sexo e Violência 

Autor: Frank Miller 

Editora original: Dark Horse   

Data original de publicação: 1997

Editora no Brasil: 

Tradução: Fucking Bastards 

Data de publicação: 25/11/1999

Páginas: 31 





sábado, 28 de janeiro de 2023

CRÍTICA| AS TRÊS IRMÃS, DE ANTON TCHEKHOV

 A decadência de uma poderosa família russa

Por Victor Hugo Sigoli de Campos 

Data: 15/01/2023



Concebida inicialmente como uma peça de teatro, "As Três Irmãs" é sobre três mulheres que moram em uma província no interior da Rússia, mas querem voltar à Moscou. O roteiro é dividido em quatro atos, discute o passado e o futuro dos filhos do general Prosorov, alinhando questões sociais e psicológicas à história.

O livro começa com um almoço em um dia de sol alegre na casa de Andrei Sergueievitch com suas irmãs e amigos, Olga, (apelidada de Oletchka e Oliútchka), Macha e Irina relembram o velório do pai, há um ano antes. Quando, moravam na capital, tocavam instrumentos e frequentavam festas, entretanto, a família se muda para a província e o pai morre, fato que transforma suas vidas, Oletchka atua como professora, e Macha arrepende-se do homem com quem casou. Irina é a mais jovem dos protagonistas e, se vê com grandes possibilidades no amor, por isso rejeita os pretendentes, e a chegada de Aleksandr Ignatievitch Verchinin, amigo do pai, traz memórias positivas ao encontro e incentiva o clima de saudosismo, encerrando o tomo I de forma esperançosa para os Prosorov.

Ato I, trecho de conversa de Verchinin com os quatro filhos de Prosorov. 

“Muito bem! (Ri.) Conhecem muitas coisas supérfluas! Pois a mim me parece que não existe nem pode existir cidade bastante triste e parada que nos dispense do dever de sermos cultos e inteligentes...Admitamos que, entre os cem mil habitantes desta cidade, atrasada e gasta, existam somente três seres iguais a vocês. Não é preciso dizer que não poderão vencer a massa de trevas que as cerca. Pouco a pouco, à medida que forem avançando na vida, serão obrigadas a se perderem em uma multidão de cem mil seres mil humanos. A vida os sufocará. Mas, mesmo assim, vocês não desaparecerão sem terem exercido uma influência; mulheres como vocês haverá, de início, mais dez, em seguida doze e assim por diante até que por fim constituam a maioria. Dentro de duzentos ou trezentos anos, a vida na terra será extremamente bela. O homem tem necessidade dessa vida e, se ela não existe, deve pressenti-la, esperá-la, sonhá-la, preparar-se para recebê-la e para isso procurar ver e conhecer mais do que viram e conheceram seu avô e seu pai. (Ri.) E vocês lamentam conhecer algumas coisas supérfluas!”   

Tchekhov começa o ato II no mesmo cenário, porém, em uma noite de inverno, com Natacha Ivanovna, a noiva de Andrei, andando em meio à penumbra, eles aguardam Irina retornar do trabalho e Olga do conselho pedagógico. As irmãs são ressentidas por ele ter pedido a mão de uma provinciana em casamento e, perder duzentos rublos em jogatina, logo, intrigas e prejuízos causam sua tragédia. O desejo de Olga e Irina é Aleksandr e Maria se casarem, ele é  médico, o perfil cavaleiro intelectual, suas conversas com a moça flui muito bem, mantendo a possibilidade de voltarem à grande Moscou.

O ato III destrói as expectativas dos personagens. Andrei confronta as irmãs por desprezarem sua esposa, também descobre os pesares dela, Irina aceita se casar com o barão Nikolai Tusenbach, mas por desespero e não por amor. Um incêndio se alastra na cidade, simbolicamente queimando os sonhos da família...No ato IV os protagonistas estão arruinados e amargando seu destino.

O escritor desenvolve seu argumento de forma lacônica, com poucas palavras, deixando espaço para a reflexão do leitor, logo, é essencial se atentar tanto ao enredo quanto às temáticas e ao subtexto. No começo cita as “colunas” do casarão dos Prosorov, metaforicamente – assim como a queimada no final – uma representação do poder do clã.

Humaniza os personagens inserindo seus desejos, insatisfações e arrependimentos...A passividade dos homens retratada em Andrei e a grosseria em Tusenbach, Ilitch Kulyguin e Vassíli Solioni, são comentários sobre a sociedade russa do século XIX, e Verchinin autor de grandes discursos, demonstra a necessidade masculina da época de voltar-se para o espiritual, já, as mulheres Olga, Maria, Irina e Natacha transitam entre, luzes e trevas.

Os recursos utilizados pelo dramaturgo aprofundam o impacto da narrativa, citações de outros escritores (intertextualidade) e metáforas (figuras de linguagem), conta ainda com diálogos em idiomas estrangeiros e referências à cultura de países do ocidente europeu. O livro debate sensações sempre presentes ao homem, seja na época de sua publicação ou hoje, nos instiga a questionar se somos responsáveis pela nossa satisfação, se podemos mudar nossas vidas. Um livro profundo, irônico e atemporal.    


Ficha técnica do livro/ HQ 

País de origem: Rússia 

Nome: As Três Irmãs

Autor: Anton Tchekhov 

Editora original: -  

Data original de publicação: 1901

Editora no Brasil: Nova Cultural 

Tradução: Maria Jacintha 

Data de publicação: 2002 

Páginas: 150 


sábado, 31 de dezembro de 2022

CRÍTICA| O MUNDO PERDIDO, DE ARTHUR CONAN DOYLE

 

Por Victor Hugo Sigoli de Campos 

Data: 18/11/2022




O livro é sobre uma expedição inglesa na América do Sul feita para comprovar a existência de dinossauros. O professor George Edward Challenger convence seu colega Summerlee, especialista em anatomia comparada, o jornalista Ed Malone e o caçador John Roxton para viajarem até a tríplice divisa do estado do Mato Grosso com a Bolívia e Paraguai para explorarem um denso platô da floresta amazônica. Arthur Conan Doyle desenvolve com empolgação a aventura até chegarem no ponto que desejam, começando ao embarcarem no transatlântico da Booth Line, atracando no litoral de Manaus, na capital, fretam um barco chamado Esmeralda para navegar pelos afluentes do Rio Amazonas até o sul mato-grossense, descreve a fauna e flora, citando nomes de árvores, plantas e animais, caracterizando esteticamente a narrativa.

Ed é repórter do Daily Gazette e deseja ganhar status social se casando com a filha de um ricaço, mas a atração não é recíproca, então, tentando impressioná-la se envolve com a jornada, ele emana a ideia ser um fracassado. Já, George é professor de zoologia, visitou a região em outra oportunidade e, obteve o caderno de um homem contendo um stegossauro desenhado, levando-o a criar sua tese, entretanto, malvista pela imprensa e o âmbito acadêmico. É barbudo, cabeludo, baixa estatura e ranzinza, uma combinação bastante carismática.

O sério e rígido professor Summerlee deve catalogar e apurar as descobertas arqueológicas, sendo o contraponto a Challenger deve decidir sobre à sua credibilidade ou depreciação. O último membro do quarteto é Lorde John Roxton, experiente em armas e incursões pela África, e América Latina salvando índios de traficantes peruanos de escravos, contrata os mestiços Gomez e Manuel, o africano Zambo, e três índios (Fernando, José e Mojo) para guiarem o grupo. A aventura avança e encontram adversidades, traições, perseguições, civilizações nativas, quanto, aos dinossauros poucos são vistos, Conan Doyle insere-os de forma bem pontual em situações de admiração ou medo.

Trecho do capítulo: “Foi assustador na floresta”.

"Eu já disse ou talvez não tenha dito, pois a minha memória anda me pregando muitas peças ultimamente, que fiquei muito orgulhoso quando três homens como os meus companheiros me agradeceram por resolver ou, pelo menos, por ter ajudado bastante a resolver, essa situação difícil. Como o mais jovem da turma, não apenas em idade, mas em experiência, caráter, conhecimentos e tudo o que contribui na formação de um homem, eu havia permanecido ofuscado desde o início, mas agora tinha chegado a minha vez. Eu me reconfortava com tal pensamento. Ah! Como a soberba precede a ruína! Aquele pequeno brilho de satisfação pessoal, que aumentou minha autoconfiança, naquela mesma noite me levaria à mais terrível experiência de toda a minha vida, terminando com um choque que ainda me deixa de coração consternado sempre que penso nisso."

São apresentadas nuances estéticas de terror e ficção científica, inicia os capítulos enunciando os mistérios mantendo o leitor envolvido, as criaturas pré-históricas são pouco observadas, ainda assim, são ouvidas quando estão se alimentando ou deslocando, no meio das matas, lagos, alto de arvores ou montanhas, ao serem avistadas suscitam horror, sobretudo as carnívoras, percebe-se também a vontade dos visitantes em capturarem-nas e analisarem e fazerem experimentos. É possível dizer que “O mundo perdido” é “experimental”, com muitos personagens em foco, desenvolvimento de aclimatação, e uso de outros recursos, que poderiam ser usados em livros de suspense, e o autor é o criador de um dos grandes personagens da literatura mundial, Sherlock Holmes. Conan Doyle foi visionário ao idealizar um mundo onde dinossauros e humanos convivessem, a obra tenha sido adaptada para seriado de televisão, certamente, o cinema foi o maior impactado, "Jurassic Park" está há décadas encantando gerações com os impressionantes répteis pré-históricos. 

Trecho do capítulo: “Quem poderia prever algo assim?”.

“Depois de escurecer, o ar esfriou bastante, então todos nós aproximamos do fogo. A noite não tinha luar, mas algumas estrelas brilhavam e podia-se ver por um pouco a distância na planície. Muito bem! De repente, no meio da escuridão da noite, algo passou voando zunindo como um avião. Por um instante, todo o nosso grupo foi coberto por um dossel de asas coriáceas e, nesse tempo, eu tive a visão de um longo pescoço parecido com uma cobra, um olhar feroz, vermelho, guloso e um grande bico que se abria e fechava, cheio para meu espanto, de pequenos dentes brilhantes. No instante seguinte, essa aparição foi embora, e nosso jantar também. Uma enorme sombra negra, com uns seis metros de diâmetro, deslizava no ar. Por um instante, as asas monstruosas apagaram as estrelas, depois a criatura desapareceu sobre o topo do penhasco acima de nós. Todos nós nos sentamos espantados, em silêncio, ao redor da fogueira, como os heróis de Virgílio quando as Harpias desceram sobre eles.”

Seria possível discutir temáticas mais abrangentes, por exemplo, escravidão, crença na ciência, sensacionalismo jornalístico, entre outros. As motivações dos personagens são adequadas com o contexto, e apesar do pretexto de Malone ser infantil, releva-se a intenção do escritor em querer divertir os leitores.

O entretenimento se mescla com a mensagem do livro, e o ponto de partida para discuti-la é a ciência, não se deve ignorar ou refutar argumentos sem provas, essa situação instiga a interpretar a verdade como um fato a ser descoberto. As camadas na abordagem, divertimento e reflexão, e no cerne desta estão os personagens, contrapondo um ao outro, Challenger – Summerlee, e, Ed – Roxton, confrontam desafios e problemas. Por fim a aventura muda-lhes a vida.


Ficha técnica do livro/ HQ 

País de origem: Reino Unido 

Nome: O mundo perdido

Autor: Arthur Conan Doyle 

Editora original: Strand Magazine

Data original de publicação: 1912

Editora no Brasil: Ciranda Cultural 

Tradução: Silvio Antunha 

Data de publicação: 2019

Páginas: 240