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sábado, 28 de janeiro de 2023

CRÍTICA| AS TRÊS IRMÃS, DE ANTON TCHEKHOV

 A decadência de uma poderosa família russa

Por Victor Hugo Sigoli de Campos 

Data: 15/01/2023



Concebida inicialmente como uma peça de teatro, "As Três Irmãs" é sobre três mulheres que moram em uma província no interior da Rússia, mas querem voltar à Moscou. O roteiro é dividido em quatro atos, discute o passado e o futuro dos filhos do general Prosorov, alinhando questões sociais e psicológicas à história.

O livro começa com um almoço em um dia de sol alegre na casa de Andrei Sergueievitch com suas irmãs e amigos, Olga, (apelidada de Oletchka e Oliútchka), Macha e Irina relembram o velório do pai, há um ano antes. Quando, moravam na capital, tocavam instrumentos e frequentavam festas, entretanto, a família se muda para a província e o pai morre, fato que transforma suas vidas, Oletchka atua como professora, e Macha arrepende-se do homem com quem casou. Irina é a mais jovem dos protagonistas e, se vê com grandes possibilidades no amor, por isso rejeita os pretendentes, e a chegada de Aleksandr Ignatievitch Verchinin, amigo do pai, traz memórias positivas ao encontro e incentiva o clima de saudosismo, encerrando o tomo I de forma esperançosa para os Prosorov.

Ato I, trecho de conversa de Verchinin com os quatro filhos de Prosorov. 

“Muito bem! (Ri.) Conhecem muitas coisas supérfluas! Pois a mim me parece que não existe nem pode existir cidade bastante triste e parada que nos dispense do dever de sermos cultos e inteligentes...Admitamos que, entre os cem mil habitantes desta cidade, atrasada e gasta, existam somente três seres iguais a vocês. Não é preciso dizer que não poderão vencer a massa de trevas que as cerca. Pouco a pouco, à medida que forem avançando na vida, serão obrigadas a se perderem em uma multidão de cem mil seres mil humanos. A vida os sufocará. Mas, mesmo assim, vocês não desaparecerão sem terem exercido uma influência; mulheres como vocês haverá, de início, mais dez, em seguida doze e assim por diante até que por fim constituam a maioria. Dentro de duzentos ou trezentos anos, a vida na terra será extremamente bela. O homem tem necessidade dessa vida e, se ela não existe, deve pressenti-la, esperá-la, sonhá-la, preparar-se para recebê-la e para isso procurar ver e conhecer mais do que viram e conheceram seu avô e seu pai. (Ri.) E vocês lamentam conhecer algumas coisas supérfluas!”   

Tchekhov começa o ato II no mesmo cenário, porém, em uma noite de inverno, com Natacha Ivanovna, a noiva de Andrei, andando em meio à penumbra, eles aguardam Irina retornar do trabalho e Olga do conselho pedagógico. As irmãs são ressentidas por ele ter pedido a mão de uma provinciana em casamento e, perder duzentos rublos em jogatina, logo, intrigas e prejuízos causam sua tragédia. O desejo de Olga e Irina é Aleksandr e Maria se casarem, ele é  médico, o perfil cavaleiro intelectual, suas conversas com a moça flui muito bem, mantendo a possibilidade de voltarem à grande Moscou.

O ato III destrói as expectativas dos personagens. Andrei confronta as irmãs por desprezarem sua esposa, também descobre os pesares dela, Irina aceita se casar com o barão Nikolai Tusenbach, mas por desespero e não por amor. Um incêndio se alastra na cidade, simbolicamente queimando os sonhos da família...No ato IV os protagonistas estão arruinados e amargando seu destino.

O escritor desenvolve seu argumento de forma lacônica, com poucas palavras, deixando espaço para a reflexão do leitor, logo, é essencial se atentar tanto ao enredo quanto às temáticas e ao subtexto. No começo cita as “colunas” do casarão dos Prosorov, metaforicamente – assim como a queimada no final – uma representação do poder do clã.

Humaniza os personagens inserindo seus desejos, insatisfações e arrependimentos...A passividade dos homens retratada em Andrei e a grosseria em Tusenbach, Ilitch Kulyguin e Vassíli Solioni, são comentários sobre a sociedade russa do século XIX, e Verchinin autor de grandes discursos, demonstra a necessidade masculina da época de voltar-se para o espiritual, já, as mulheres Olga, Maria, Irina e Natacha transitam entre, luzes e trevas.

Os recursos utilizados pelo dramaturgo aprofundam o impacto da narrativa, citações de outros escritores (intertextualidade) e metáforas (figuras de linguagem), conta ainda com diálogos em idiomas estrangeiros e referências à cultura de países do ocidente europeu. O livro debate sensações sempre presentes ao homem, seja na época de sua publicação ou hoje, nos instiga a questionar se somos responsáveis pela nossa satisfação, se podemos mudar nossas vidas. Um livro profundo, irônico e atemporal.    


Ficha técnica do livro/ HQ 

País de origem: Rússia 

Nome: As Três Irmãs

Autor: Anton Tchekhov 

Editora original: -  

Data original de publicação: 1901

Editora no Brasil: Nova Cultural 

Tradução: Maria Jacintha 

Data de publicação: 2002 

Páginas: 150 


sábado, 31 de dezembro de 2022

CRÍTICA| O MUNDO PERDIDO, DE ARTHUR CONAN DOYLE

 

Por Victor Hugo Sigoli de Campos 

Data: 18/11/2022




O livro é sobre uma expedição inglesa na América do Sul feita para comprovar a existência de dinossauros. O professor George Edward Challenger convence seu colega Summerlee, especialista em anatomia comparada, o jornalista Ed Malone e o caçador John Roxton para viajarem até a tríplice divisa do estado do Mato Grosso com a Bolívia e Paraguai para explorarem um denso platô da floresta amazônica. Arthur Conan Doyle desenvolve com empolgação a aventura até chegarem no ponto que desejam, começando ao embarcarem no transatlântico da Booth Line, atracando no litoral de Manaus, na capital, fretam um barco chamado Esmeralda para navegar pelos afluentes do Rio Amazonas até o sul mato-grossense, descreve a fauna e flora, citando nomes de árvores, plantas e animais, caracterizando esteticamente a narrativa.

Ed é repórter do Daily Gazette e deseja ganhar status social se casando com a filha de um ricaço, mas a atração não é recíproca, então, tentando impressioná-la se envolve com a jornada, ele emana a ideia ser um fracassado. Já, George é professor de zoologia, visitou a região em outra oportunidade e, obteve o caderno de um homem contendo um stegossauro desenhado, levando-o a criar sua tese, entretanto, malvista pela imprensa e o âmbito acadêmico. É barbudo, cabeludo, baixa estatura e ranzinza, uma combinação bastante carismática.

O sério e rígido professor Summerlee deve catalogar e apurar as descobertas arqueológicas, sendo o contraponto a Challenger deve decidir sobre à sua credibilidade ou depreciação. O último membro do quarteto é Lorde John Roxton, experiente em armas e incursões pela África, e América Latina salvando índios de traficantes peruanos de escravos, contrata os mestiços Gomez e Manuel, o africano Zambo, e três índios (Fernando, José e Mojo) para guiarem o grupo. A aventura avança e encontram adversidades, traições, perseguições, civilizações nativas, quanto, aos dinossauros poucos são vistos, Conan Doyle insere-os de forma bem pontual em situações de admiração ou medo.

Trecho do capítulo: “Foi assustador na floresta”.

"Eu já disse ou talvez não tenha dito, pois a minha memória anda me pregando muitas peças ultimamente, que fiquei muito orgulhoso quando três homens como os meus companheiros me agradeceram por resolver ou, pelo menos, por ter ajudado bastante a resolver, essa situação difícil. Como o mais jovem da turma, não apenas em idade, mas em experiência, caráter, conhecimentos e tudo o que contribui na formação de um homem, eu havia permanecido ofuscado desde o início, mas agora tinha chegado a minha vez. Eu me reconfortava com tal pensamento. Ah! Como a soberba precede a ruína! Aquele pequeno brilho de satisfação pessoal, que aumentou minha autoconfiança, naquela mesma noite me levaria à mais terrível experiência de toda a minha vida, terminando com um choque que ainda me deixa de coração consternado sempre que penso nisso."

São apresentadas nuances estéticas de terror e ficção científica, inicia os capítulos enunciando os mistérios mantendo o leitor envolvido, as criaturas pré-históricas são pouco observadas, ainda assim, são ouvidas quando estão se alimentando ou deslocando, no meio das matas, lagos, alto de arvores ou montanhas, ao serem avistadas suscitam horror, sobretudo as carnívoras, percebe-se também a vontade dos visitantes em capturarem-nas e analisarem e fazerem experimentos. É possível dizer que “O mundo perdido” é “experimental”, com muitos personagens em foco, desenvolvimento de aclimatação, e uso de outros recursos, que poderiam ser usados em livros de suspense, e o autor é o criador de um dos grandes personagens da literatura mundial, Sherlock Holmes. Conan Doyle foi visionário ao idealizar um mundo onde dinossauros e humanos convivessem, a obra tenha sido adaptada para seriado de televisão, certamente, o cinema foi o maior impactado, "Jurassic Park" está há décadas encantando gerações com os impressionantes répteis pré-históricos. 

Trecho do capítulo: “Quem poderia prever algo assim?”.

“Depois de escurecer, o ar esfriou bastante, então todos nós aproximamos do fogo. A noite não tinha luar, mas algumas estrelas brilhavam e podia-se ver por um pouco a distância na planície. Muito bem! De repente, no meio da escuridão da noite, algo passou voando zunindo como um avião. Por um instante, todo o nosso grupo foi coberto por um dossel de asas coriáceas e, nesse tempo, eu tive a visão de um longo pescoço parecido com uma cobra, um olhar feroz, vermelho, guloso e um grande bico que se abria e fechava, cheio para meu espanto, de pequenos dentes brilhantes. No instante seguinte, essa aparição foi embora, e nosso jantar também. Uma enorme sombra negra, com uns seis metros de diâmetro, deslizava no ar. Por um instante, as asas monstruosas apagaram as estrelas, depois a criatura desapareceu sobre o topo do penhasco acima de nós. Todos nós nos sentamos espantados, em silêncio, ao redor da fogueira, como os heróis de Virgílio quando as Harpias desceram sobre eles.”

Seria possível discutir temáticas mais abrangentes, por exemplo, escravidão, crença na ciência, sensacionalismo jornalístico, entre outros. As motivações dos personagens são adequadas com o contexto, e apesar do pretexto de Malone ser infantil, releva-se a intenção do escritor em querer divertir os leitores.

O entretenimento se mescla com a mensagem do livro, e o ponto de partida para discuti-la é a ciência, não se deve ignorar ou refutar argumentos sem provas, essa situação instiga a interpretar a verdade como um fato a ser descoberto. As camadas na abordagem, divertimento e reflexão, e no cerne desta estão os personagens, contrapondo um ao outro, Challenger – Summerlee, e, Ed – Roxton, confrontam desafios e problemas. Por fim a aventura muda-lhes a vida.


Ficha técnica do livro/ HQ 

País de origem: Reino Unido 

Nome: O mundo perdido

Autor: Arthur Conan Doyle 

Editora original: Strand Magazine

Data original de publicação: 1912

Editora no Brasil: Ciranda Cultural 

Tradução: Silvio Antunha 

Data de publicação: 2019

Páginas: 240

           

 


sábado, 10 de dezembro de 2022

CRÍTICA| SIN CITY: A DAMA FATAL, DE FRANK MILLER

O questionamento a partir do chiaroscuro

Por Victor Hugo Sigoli de Campos            

01/12/2022



É uma história em quadrinhos no formato noir, da série Sin City desenhada e escrita por Frank Miller. O personagem principal é Dwight McCarthy vive sozinho e, faz bicos como fotógrafo, então, sua ex-namorada, Ava Lord, reaparece em sua vida criando o caos... A mulher é uma femme fatale, perigosa e sedutora, um elemento do suspense, inserido pelos autores para propiciar uma ameaça “sexualmente tentadora” ao protagonista, logo, tornando o enredo um tanto previsível, mas é interessante analisá-lo, porque, artisticamente é excepcional e recheado de detalhes intrigantes. Dwight é um "lobo solitário", irônico, autoconsciente e respeitando seus próprios limites e, sempre correndo atrás de seus desejos, ele e Ava parecem se complementar, mas é perceptível que ela está dominando e manipulando-o, a relação é ilustrada de forma eficiente por Miller.

McCarthy chama seu amigo Marv, um brutamonte, para ajudar a invadir a casa de Damien Lord, para sua ofensiva. A dinâmica entre os dois, feita de estímulos sexuais e comentários dela sobre o marido, é o recurso do autor para aumentar a tensão culminando num clímax chocante. Depois de um baque sofrido o fotógrafo precisa de ajuda para se recuperar e se vingar, enquanto se esconde no bairro Cidade Velha, recorre à líder da Gangue das Prostitutas, Gail, com teve relacionamento conturbado, ferindo os sentimentos da moça.  


Sin City - A Dama Fatal está disponível no Amazon Prime Video




















Os desenhos são bastante instigantes, sempre com um elemento específico em destaque, e por vezes, o local, onde se desenrola a ação, rodovia, mansão, ou bar que por sinal é semelhante aos salões de produções de Velho Oeste, ora Miller quer o foco no personagem, ora na sua interação com o ambiente. De manhã o fundo é pintado de branco e as pessoas de preto, a noite, a fórmula se inverte, nessa arte sempre há propensão de definir se o personagem é bom ou ruim baseado na cor, porém, o artista argumenta subvertendo a fórmula, Ava de preto, apresentando-a de vermelho, simbolizando-a como predadora...e Dwight de branco, mas nem sempre, pois, na união texto e desenho desponta uma crítica ao homem e seus desejos. Realismo quanto ao corpo e fisionomia, criando ideia de movimentos, uso de onomatopeias em cenas de automóveis, lutas, e expressões faciais que passam dúvida, raiva, paixão, entre outros sentimentos.                       














O roteiro tem diálogos longos, insinuações, metáforas, o linguajar informal que aproxima o leitor, além, de momentos voyeur, uma possível ironia do autor, pois, estamos vendo a história de um indivíduo que gosta de observar, convencer, envolver-se. A inserção do chefão da máfia Wallenquist, desenvolve complementa o arco de Eva e não deixa arestas na narrativa, porém, fica um gosto positivo de quero mais sobre os personagens secundários para os volumes seguintes, e de questionamento quanto a Dwight e suas decisões.          


SUGESTÃO: ARTIGO - A FASCINANTE EXPERIÊNCIA DE LER SIN CITY

   

Ficha técnica do livro/ HQ 

País de origem: Estados Unidos

Nome: Sin City - A Dama Fatal 

Autor: Frank Miller 

Editora original: Darkhorse 

Data original de publicação: 1993 - 1994

Editora no Brasil: Devir 

Tradução: Leandro Luigi

Ano de publicação: 2013

Páginas: 222




sábado, 26 de novembro de 2022

ARTIGO| A FASCINANTE EXPERIÊNCIA DE LER SIN CITY

                                             A arte em quadrinhos


                        Autor: Victor Hugo            data: 26/11/2022   

Sin City é uma série em quadrinhos produzida por Frank Miller, lançada na década de 1990 nos Estados Unidos, saindo na editora Dark Horse. No Brasil, pela Globo, Pandorga Books, e Devir. 

Partindo de uma proposta visual impactante, o leitor conhece Basin City uma cidade apresentada com elementos noir, narração em primeira pessoa, anti-heróis, mistérios, e uso da técnica artística chiaroscuro, enfatizando cenas de lascívia, mistério e violência, aspectos que podem ser percebidos também pelos títulos. Inspirada em livros do escritor Mickey Spillane; e Alack Sinner: A Era da Inocência, de José Muñoz e Carlos Sampayo. Durante os treze volumes, o autor apresenta Marv, Dwight McCarthy, Gail, John Hartigan, Goldie, Wendy, Roark Jr, Kevin, Ava Lord, Manute, Jack Rafferty, Cardeal Patrick Henry.

Frank fez seu primeiro trabalho na DC Comics em 1983, no decorrer de sua trajetória na Marvel, com a graphic novel solo Ronin, história de samurais aclamada pela crítica. Em 1990 fez Hard Boiled e Liberdade, e um ano depois nascia Sin City, seu maior projeto fora do universo dos super-heróis. O autor criou um conceito que subsiste em função das caricaturas, colocando o leitor em contextos com personagens e situações diferentes que foram se expandindo, conforme, os novos capítulos eram desenvolvidos. "Lobos solitários", femmes fatales, policiais, políticos, gangues de rua, máfias, são os formidáveis indivíduos criados por Miller.      

                                              

                                                                             Conheça as histórias de Sin City










A Cidade do Pecado (The Hard Goodbye, 1991-1992): É o primeiro capítulo da série, protagonizado por Marv, um brutamontes que conhece e se apaixona por Goldie, que depois aparece morta na sua cama, motivando-o a desvendar e vingar à sua morte. 









A Dama Fatal (A Dame to Kill For, 1993-1994):
Dwight é o protagonista deste volume, leva a vida fazendo freelancers, até que a ex-namorada, Ava Lord, ressurge em sua vida implorando ajuda, por causa, de um marido violento. Violência e sedução definem o tom da narrativa. Venceu o prêmio Will Eisner de “Melhor Minissérie” de 1995.     





A Dama de Vermelho (The Babe Wore Red and The Other Storie, 1994): Uma antologia com três contos.

       E Atrás da Porta Número Três (And Behind Door Number Three, 1994): Gail é líder da gangue das prostitutas, que dominam a região “Cidade Velha” em Sin City, e está investigando misteriosos assassinatos a facadas.

        O Cliente Tem Sempre Razão (The Customer Is Always Right, 1994): Dois personagens anônimos se encontram no terraço de um prédio, numa noite chuvosa. Aparentemente estranhos um para o outro, eles têm alguma coisa em comum, um débito que deverá ser quitado. 

        A Dama de Vermelho (The Babe Wore Red, 1994): Dwight recebe um telefonema de seu amigo Fargo, porém ele aparece morto horas depois. Para desvendar esse mistério o protagonista deverá confrontar uma mulher e dois assassinos. 







Noite de Paz (Silent Night, 1994): É noite e neva em Sin City. Marv está à procura de alguém e, seu caminho cruza com o de três assassinos. 












A Grande Matança (The Big Fat Kill, 1994-1995): O policial Jack Rafferty entra na “Cidade Velha” e ataca integrantes da gangue das prostitutas, levando ao conflito, entre policiais e as dominadoras do bairro aliadas a Dwight McCarthy. Venceu o Eisner de “Melhor Minissérie” em 1996.





Aquele Bastardo Amarelo (That Yellow Bastard, 1996): Um dia antes de se aposentar, John Hartigan o último policial honesto de Sin City recebe a última missão, prender Roark Jr. por sequestrar uma menina, Nancy Callahan com quem desenvolve uma profunda relação. 





A Garotinha do Papai (The Daddy's Girl, 1996): A personagem central é uma "femme fatale" envolvida em um triângulo amoroso. 





Perdida, Sozinha e Mortal (Lost, lonely and Mortal, 1996): Reunião de três histórias da série Sin City. 

Perdida, Sozinha e Mortal (Lost, Lonely and Mortal, 1996): Um assassinato e dois capangas tentando se livrar do cadáver. 

Ratos (Rats, 1996): Mostra a reflexão de um homem perseguido por “ratos”.

 Olhos Azuis (Blue Eyes, 1996): Um homem que está sendo perseguido se esconde em um bar de Sin City, onde tem um reencontro inesperado.     





Sexo e Violência (Sex and Violence, 1997): Um homem está dirigindo sem rumo na chuva, e encontra Delia inconsciente na estrada. Texto e visual dialogam forma envolvente na história. 

 




Apenas Outra Noite de Sábado (Just Another Saturday Night, 1997): O valentão Marv se envolve em uma grande confusão, sem se lembrar como ou porque acorda em meio a carros acidentados e muitos corpos. Ele acende o cigarro de um dos defuntos e as lembranças começam a fluir...






Noite da Vingança (Family Values, 1997): Criminosos da máfia cometem um crime terrível em Sin City. Dwight e a samurai Miho perseguem e confrontam os assassinos. 





Balas, Garotas e Bebidas (Bullets, Girls and Drinks, 1994-1997): Uma coletânea de pequenas histórias envolvendo Marv, Dwight, as moradoras da Cidade Velha, entre outros, nas ruas e becos escuros de Sin City. 




De Volta ao Inferno (Hell and Back, 1999 – 2000):  Wallace é um herói de guerra e está de volta à cidade, tentando levar a vida como ilustrador. Ele conhece e se apaixona por uma moça chamada Esther, porém, ela é raptada, ao decidir salvá-la é envolvido em uma misteriosa trama. 

















 













Os já comentados protagonistas de Sin City seguem seus próprios princípios e objetivos, é esse o fator que avança o enredo...São capazes de atitudes de ruins com objetivos que consideram bons, é a ideia de que os fins justificam os meios em um visual preto e branco, ironia do autor. Violência e sensualidade são marcas dessas narrativas, ilustradas com seleções de desenhos dignos de álbuns, proporcionando empolgação, questionamento, nos fazendo acreditar em uma ideia que pode estar errada. 

A cada volume trouxe personagens antigos, e insere novos, aborda seus arcos mostrando mais sobre suas vidas, motivações e desafios, a maioria das histórias são protagonizadas por homens, e as mulheres são grandes orquestradoras de reviravoltas. Os desenhos de objetos, carros, roupas, cenas de ação, são impecáveis, rostos e corpos, possuem volumes, movimentos, marcas, cicatrizes, pelos, o olhar de cada um dos indivíduos demonstra intenção e sentimento, quando lhes adiciona cor - vermelho, azul, amarelo - está incorporando uma nova mensagem na cena. O roteiro de Miller tem linguagem informal, e estamos lendo contos de cotidiano sobre os indivíduos dessa perigosa e intensa cidade.





                                                

Sin City foi adaptada para o cinema em 2005 e 2014, a primeira fascinante, dirigida por Robert Rodríguez, à qual se referiu como "tradução" por ser fiel ao formato concebida por Miller, a segunda interessante e trouxe histórias inéditas. Visualmente a experiência nos remete ao cinema em preto e branco, justificando, porque as hqs são pouco conhecidas, assim como, os filmes. 

Começou a ser publicada no mesmo ano que A Morte do Superman chegou às bancas, cujas vendas foram dois milhões de cópias, só na pré-venda, mesmo que, na época o mercado de quadrinhos era dominado pelos super-heróis a Dark Horse venceu dois prêmios de "Melhor Minissérie", cifrando Sin City como a obra mais expoente da estética noir, e um reduto artístico atraente e inspirador.

                     Clique para baixar e ler Sin City

                                    Conheça à trilha sonora

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sábado, 22 de outubro de 2022

CRÍTICA| DEATH NOTE: BLACK EDITION VOL. IV, DE TSUGUMI OHBA E TAKESHI OBATA

    Roteirista e desenhista exploram as possibilidades narrativas de Death Note

Por Victor Hugo Sigoli de Campos  

10/10/2022     



O quarto volume da franquia em edição de luxo começa com a operação da prisão de Kyosuke Higuchi e, em seguida um salto temporal de quatro anos. A edição é consistente e questionadora, tanto com relação fórmula da história, quanto com as temáticas.

Soichiro Yagami, Aizawa, Mogi, Matsuda, L, e mais uma tropa de choque — usando capacetes para proteger o rosto — atraem o empresário a uma emboscada e depois de perseguí-lo o prendem. Embora, Higuchi esteja em mãos da polícia L segue desconfiando de Light, e este com Misa arma o contra-ataque em resposta à ação policial.

L, Matsuda, Soichiro, Aizawa, Mogi, após terem contato com o caderno, começam a enxergar à shinigami Rem e, vão do susto à indagação com a monstra que é impedida de falar pelas leis do seu mundo. Ao conversar com o detetive e líder da operação, a semelhança entre ele e Light é evidente para Rem, ambos são ousados e estrategistas, principalmente, após o investigador revelar o desejo de testar o caderno da morte. O capítulo “Sequestro” inicia em 2009, três anos após os eventos do início do quarto, durante esse período o jovem Yagami ingressa no Departamento de Comunicação da Agência Nacional de Polícia japonesa e, pede à namorada para dar continuidade nas execuções, então, surgem grupos venerando  Kira e países lhe declarando apoio.













  











Personagens novos são apresentados, Near (chamado de N) e Mello, uma organização terrorista norte-americana, o diretor de um orfanato, e o shinigami Daioh. O roteirista Tsugumi Ohba deixa explícita a ideia de adolescentes órfãos superdotados trabalhando em conjunto com agências investigativas, N trabalha com a SPK e deve investigar Kira, já, Mello se uniu à tal organização que enseja os poderes do death note. Os garotos se conhecem desde a infância, ambos gostariam de ser escolhidos por L para sucedê-lo, tornando-os rivais.

A arte de Obata, assim como, nas edições anteriores é autoexplicativa e constrói ideias e simbolismos, ao fazer transições de um núcleo de personagens a outro, enfatiza, cidade — prédio — apartamento, destacando as localidades em que o enredo se passa, e capas sempre inspiradas nas pinturas renascentistas. Enquanto, N está coordenando uma missão para obter o caderno constrói um castelo de dados que é destruído, simbolizando seu fracasso. É inerente a comparação de Near com Ryuzaki, pela forma como se comportam, Tsugumi escreveu N baseando-se em L, o garoto age automaticamente em cada situação, está sempre enrolando o cabelo, e Mello é a explanação da ideia para criação de seu antecessor, comportamento rebelde, sua expressão doida, comendo chocolates para intimidar seus alvos e, expondo crucifixos, por quê? 

A cena de apresentação do shinigami Shidoh e sua busca para salvar seu caderno revela segredos, reforçando o argumento de mundos em paralelo, além de, demonstrar seu poder em uma cena de ação, os shinigamis observam e manipulam portadores do death note, possibilitando a existência de realidades alternadas. A série sempre teve enredo e ideias desenvolvidas com verossimilhança, destacando se também por reviravoltas e esse aspecto se mantém neste volume, também, os autores explorem de forma profunda os elementos visuais. Textualmente, os autores subvertem e distorcem a própria fórmula, até regras do caderno se tornam falsas, agravando as impactantes conjunturas que serão definitivas para as sequências. 

Sugestão: Crítica: Death Note Vol. III 




 

















     





















Ficha técnica do livro 

País de origem: Japão 

Nome: Death Note - Black Edition Vol. IV

Autor: Tsugumi Ohba, Takehsi Obata

Editora original: Shueisha  

Data original de publicação: 2003

Editora no Brasil: JBC

Tradução: Rica Sakata  

Data de publicação: 2010

Páginas: 400