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sábado, 22 de outubro de 2022

CRÍTICA| DEATH NOTE: BLACK EDITION VOL. IV, DE TSUGUMI OHBA E TAKESHI OBATA

    Roteirista e desenhista exploram as possibilidades narrativas de Death Note

Por Victor Hugo Sigoli de Campos  

10/10/2022     



O quarto volume da franquia em edição de luxo começa com a operação da prisão de Kyosuke Higuchi e, em seguida um salto temporal de quatro anos. A edição é consistente e questionadora, tanto com relação fórmula da história, quanto com as temáticas.

Soichiro YagamiAizawa, Mogi, Matsuda, L, e mais uma tropa de choque — usando capacetes para proteger o rosto — atraem o empresário a uma emboscada e depois de perseguí-lo o prendem. Embora, Higuchi esteja em mãos da polícia L segue desconfiando de Light, e este com Misa arma o contra-ataque em resposta à ação policial.

L, MatsudaSoichiroAizawa, Mogi, após terem contato com o caderno, começam a enxergar à shinigami Rem e, vão do susto à indagação com a monstra que é impedida de falar pelas leis do seu mundo. Ao conversar com o detetive e líder da operação, a semelhança entre ele e Light é evidente para Rem, ambos são ousados e estrategistas, principalmente, após o investigador revelar o desejo de testar o caderno da morte. O capítulo “Sequestro” inicia em 2009, três anos após os eventos do início do quarto, durante esse período o jovem Yagami ingressa no Departamento de Comunicação da Agência Nacional de Polícia japonesa e, pede à namorada para dar continuidade nas execuções, então, surgem grupos venerando  Kira e países lhe declarando apoio.













  











Personagens novos são apresentados, Near (chamado de N) e Mello, uma organização terrorista norte-americana, o diretor de um orfanato, e o shinigami Daioh. O roteirista Tsugumi Ohba deixa explícita a ideia de adolescentes órfãos superdotados trabalhando em conjunto com agências investigativas, N trabalha com a SPK e deve investigar Kira, já, Mello se uniu à tal organização que enseja os poderes do death note. Os garotos se conhecem desde a infância, ambos gostariam de ser escolhidos por L para sucedê-lo, tornando-os rivais.

A arte de Obata, assim como, nas edições anteriores é autoexplicativa e constrói ideias e simbolismos, ao fazer transições de um núcleo de personagens a outro, enfatiza, cidade — prédio — apartamento, destacando as localidades em que o enredo se passa, e capas sempre inspiradas nas pinturas renascentistas. Enquanto, N está coordenando uma missão para obter o caderno constrói um castelo de dados que é destruído, simbolizando seu fracasso. É inerente a comparação de Near com Ryuzaki, pela forma como se comportam, Tsugumi escreveu N baseando-se em L, o garoto age automaticamente em cada situação, está sempre enrolando o cabelo, e Mello é a explanação da ideia para criação de seu antecessor, comportamento rebelde, sua expressão doida, comendo chocolates para intimidar seus alvos e, expondo crucifixos, por quê? 

A cena de apresentação do shinigami Shidoh e sua busca para salvar seu caderno revela segredos, reforçando o argumento de mundos em paralelo, além de, demonstrar seu poder em uma cena de ação, os shinigamis observam e manipulam portadores do death note, possibilitando a existência de realidades alternadas. A série sempre teve enredo e ideias desenvolvidas com verossimilhança, destacando se também por reviravoltas e esse aspecto se mantém neste volume, também, os autores explorem de forma profunda os elementos visuais. Textualmente, os autores subvertem e distorcem a própria fórmula, até regras do caderno se tornam falsas, agravando as impactantes conjunturas que serão definitivas para as sequências. 

Sugestão: Crítica: Death Note Vol. III 




 

















     





















Ficha técnica do livro 

País de origem: Japão 

Nome: Death Note - Black Edition Vol. IV

Autor: Tsugumi Ohba, Takehsi Obata

Editora original: Shueisha  

Data original de publicação: 2003

Editora no Brasil: JBC

Tradução: Rica Sakata  

Data de publicação: 2010

Páginas: 400


sábado, 1 de outubro de 2022

CRÍTICA | A PIADA MORTAL, DE ALAN MOORE E BRIAN BOLLAND

                          A graphic novel que renovou o Coringa 

Escrita por Victor Hugo Sigoli de Campos 04/09/2022



A história em quadrinhos é protagonizada pelo Batman e aborda sua relação com seu principal inimigo, o Coringa, que após fugir do Asilo Arkham ataca o comissário Jim Gordon e sua filha Bárbara, para enlouquecê-los. Alan Moore e Brian Bolland contam visões em épocas diferentes, no presente – ano de publicação da hq – e passado, vindo a se complementarem no final. 

Os flashbacks apresentam um comediante fracassado que se chama Jack, ele criar sua família honestamente, mas cede ao crime organizado para sobreviver, a arte em preto e branco de Bolland já enunciam as memórias ao leitor, e o vermelho nos camarões e capacete destacam seus conflitos internos. Moore faz referência à “O Homem do Capuz Vermelho” de 1951 e a narrativa ganha um significado maior... Na linha temporal principal o visual é colorido de forma contida, mantendo a estética dramática, alinhando cenas do passado com o presente.  




Batman anda por Gotham City à procura de Jim, interroga muitos criminosos cumprindo de forma automática à sua função de levar justiça, e se questiona “Como duas pessoas que não se conhecem podem se odiar tanto?”. Em uma sequência de cenas sem diálogos o leitor compreende que o herói por não ter ajuda de seus aliados, não controla a situação. Têm referências clássicas do cânone do personagem, antigos inimigos, Bat-Família, e Bat-sinal no telhado da delegacia.

Me questiono sobre o envolvimento dos funcionários do parque de diversões nos planos do Coringa, e os dois capangas que invadem a casa de Gordon e depois desaparecem da história, creio que tenham sido ameaçados pelo vilão...Nas duas situações prevalece a imaginação do leitor. Inteligente, insano, engenhoso, entre tantas facetas, até a tragicômica do personagem se destaca. Seu argumento, “todos só precisam de um dia como o que eu tive para ficar louco”, para ele a loucura é coletiva e tenta espalhar sua ideia, e Batman sendo a personificação da justiça é o oponente perfeito.

O título “A Piada Mortal” se refere à charada que o Coringa conta ao Batman no final, que explica a relação e como um se sentem em relação ao outro. O objetivo dos autores ao escreverem-na é, o surgimento da rivalidade entre um super-herói e seu arqui-inimigo, este tornando-se um “grande vilão”, criado não apenas para espalhar o caos e ser preso, mas ter sua ascensão e crescimento, e problematizar também o simbólico super-herói.              








Ficha Técnica da HQ

País de origem: Estados Unidos/ Reino Unido 

Nome: A Piada Mortal 











sábado, 20 de agosto de 2022

CRÍTICA | BATMAN E ROBIN: O MENINO PRODÍGIO

                  Criatividade e diversão na estreia do Coringa nas HQs 

 Escrita em 01/08/2022 por Victor Hugo Sigoli de Campos 




É a primeira história com o Coringa, publicada em 1940 na revista Batman 1. Nessa edição o vilão anuncia pelo rádio os crimes que vai cometer, atraindo Batman e Robin no seu encalço.

O roteiro explica os desenhos e as ações dos personagens, já, o vilão é apresentado ao leitor mostrando seu rosto pálido, cabelo verde, e terno roxo, seus truques, tais como, disfarçar-se e usar o gás do riso para envenenar às vítimas. Bob Kane, Jerry Robinson e Bill Finger se inspiraram no expressionismo alemão e no livro “O Homem Que Ri” de Victor Hugo para desenvolver a expressão assustadora e bizarra do “Palhaço do Crime”. O personagem é a força motriz que move o enredo, violento e engenhoso prevê os planos da Dupla Dinâmica, destruindo os seus planos.

A história têm momentos cômicos e inocentes, pois, os quadrinhos de super-herói dessa época eram produzidos para o público infantil. Ainda assim, a narrativa é dinâmica, divertida e inventiva, introduzindo vários elementos textuais e visuais que foram aperfeiçoados nas décadas seguintes.    

Indicação de leitura: Revista Mundo Estranho








Ficha Técnica da HQ 

País de origem: Estados Unidos 

Nome: Batman e Robin - O Menino Prodígio


 

 




                                                



sábado, 30 de julho de 2022

CRÍTICA | MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILÍCIAS, DE MANUEL A. ALMEIDA

                     Romance de época e urbano 

                                   Escrita em 18/07/2022 por Victor Hugo Sigoli de Campos 




O livro foi escrito por Manuel Antônio de Almeida, e publicado em 1853 em folhetins do Correio Mercantil no Rio de Janeiro, durante o Romantismo no Brasil. Releva aspectos culturais do povo brasileiro, abordando comportamento e costumes do século XIX.  

O protagonista Leonardo é entregue ainda criança aos padrinhos, um barbeiro e uma parteira, após seu pai Leonardo Pataca expulsar de casa sua mãe Maria da Hortaliça por traição. Os tutores do garoto desejam colocá-lo na escola, mas revela-se desleixado frustrando as intenções do barbeiro que decide inseri-lo na educação religiosa para tentar acalmar sua personalidade travessa, porém, os transtornos causados ao padre acabam com essa ideia. O seu interesse amoroso na juventude é Luizinha, que é pretendida por José Manuel por causa de sua herança, um amigo de família.

No outro núcleo da obra, Pataca se envolve amorosamente com a Cigana que depois o rejeita. Ao tentar reconquistar à mulher usa feitiçaria (naquela época considerada crime), entretanto, Major Vidigal invade a casa do feiticeiro, pune os praticantes com chibatadas e prende Leonardo. A amante do bandoleiro pede ajuda a um tenente-coronel, que se considerava endividado com a família de Léo, e ele logo é solto.

Ao se tornar adulto o protagonista volta a morar com o pai, que se casou com Chiquinha, filha da comadre, têm muitas discussões com ambos e é expulso de casa. Passa a viver com os jovens da Rua da Vala e conhece Vidinha, mulata por quem se apaixona, entrando na disputa com seus primos pelo seu amor. Os rapazes incriminam Leonardo ao Major Vidigal que o prende, porém à Comadre, D. Maria e Maria Regalada, pedem-lhe a soltura do rapaz, e Vidigal liberta o jovem, e lhe promete o cargo de sargento do exército.

O leitor é apresentado a tipos comuns de forma bem-humorada e festividade, o “malandro”, o Mestre de Cerimônia, Mestre de Reza, Cigana, e situações sociais, abandono parental, evasão escolar, autoritarismo policial, sem se aprofundar, pois, o objetivo é contemplar à realidade do país pela perspectiva das camadas populares. A vida dos “brasileiros simples” é retratada em descrições, que apresentam panoramas sociais, o personagem principal é abandonado pelo pai e pela mãe, não aceita a escola, e todos os benefícios que obtém na vida são por acaso ou por cumprimento de favores. A falta de moralismo e excentricidade são comportamentos comuns das pessoas na história, pois suas ações não se dividem necessariamente entre boas ou más.

Trecho do capítulo 9 da primeira parte: “- O – arranjei-me – do compadre”:
                  “Os leitores estarão lembrados do que o compadre dissera quando estava a fazer castelos no ar a respeito do afilhado, e pensando em dar-lhe o mesmo ofício que exercia, isto é, daquele arranjei-me, cuja explicação prometemos dar. Vamos agora cumprir a promessa.
                   
                  Se alguém perguntasse ao compadre por seus pais, por seus parentes, por seu nascimento, nada saberia responder, porque nada sabia a respeito. Tudo de que se recordava de sua história reduzia-se a bem pouco. Quando chegará à idade de dar acordo da vida achou-se em casa de um barbeiro que dele cuidava, porém que nunca lhe disse se era ou não pai ou seu parente, nem tampouco o motivo por que tratava de sua pessoa. Também nunca isso lhe dera cuidado, nem lhe veio à curiosidade indagá-lo.
                    
                  Esse homem ensinara-lhe o ofício, e por inaudito milagre também a ler e a escrever. Enquanto foi aprendiz passou em casa do seu... mestre, em falta de outro nome, uma vida que por um lado se parecia com a do fâmulo, por outro com a do filho, por outro com a do agregado, e que afinal não era senão vida de enjeitado, que o leitor sem dúvida já adivinhou que ele o era. A troco disso dava-lhe o mestre sustento e morada, e pagava-se do que por ele tinha feito.
               
                   Quando passou de menino a rapaz, e chegou saber e sangrar sofrivelmente, foi obrigado a manter-se à sua custa e a pagar a morada com os ganchos que fazia, porque o produto do mais trabalho pertencia ainda ao mestre. Sujeitou-se a isso. Porém queriam ainda mais: exigiam que continuasse a se empenhar no serviço doméstico. Lavrou-lhe então na alma um arrepio de dignidade: já era oficial, e não queria rebaixar o seu ofício. Virou mareta; fez-se duro, e safou-se de casa sem escrúpulos nem remorsos, pois bem sabia que estavam as saldas as contas de parte em parte. Tinham-no criado; ele tinha servido. Também não encontrou grande resistência à sua deliberação.
            
                  Apenas passou o primeiro ímpeto e teve tempo de reflexionar, quase que começou a arrepender-se por não saber o meio de achar o arranjo. Viu-se na rua, sem saber para onde ir, tendo por única fortuna uma bacia de barbear embaixo do braço, um par de navalhas e outro de lancetas na algibeira. Verdade é que quem tinha consigo estes trastes estava com as armas e uniforme do ofício; porém isso não bastava; o pobre rapaz estava em apertos.  
           
                  Passou a primeira noite em casa de um colega, e no dia seguinte ao amanhecer, tomando os seus apetrechos, saiu em busca de que fazer para aquele dia, e de destino para os mais que se iam seguir.”

Os padrinhos acolhem Leonardo e amparam seu sofrimento, o ensinam a ler, escrever, conseguir emprego, sem nunca lhe revelarem que não eram seus parentes. O padrinho prepara o menino para que assuma à sua profissão. Mas, após um baque sua vida se transforma novamente, sendo levado a “ter que se virar” e sozinho, também, a viver com seu verdadeiro pai.

O autor desenvolve Leonardo e Leonardo Pataca fazendo suas histórias se complementarem, ambos possuem personalidade de “malandro”, e vivem em meio às desventuras, aquele na infância e juventude, e este na senilidade. No amor o jovem alterna, entre Luizinha e Vidinha, porém, não assume relacionamento com nenhuma, assim como o “velho Leonardo” com sua primeira esposa gerou o filho a partir de uma “pisadela e um beliscão”, uma referência ao início da relação… depois da fuga de Maria com o amante, se enamorou com a Cigana e, desistiu dela, em seguida se casou com a filha da Comadre, Chiquinha.

Almeida estruturou o enredo em duas partes, a primeira com vinte e três e a segunda com vinte e cinco capítulos, logo, apresentando os personagens episodicamente, não há relação de causa e consequência, pois, os fatos acontecem aleatoriamente. A história é contada em terceira pessoa, o narrador-observador transmite os fatos, mas não participa, e sua linguagem é coloquial com caráter cômico, poético, ironias e insinuações, rimas nos títulos dos capítulos, por exemplo, tomo I — Cap. XIV “O Vidigal Desapontado”; Cap. XV “Caldo Entornado”, e citações a locais do Rio de Janeiro, o Largo do Paço, Largo da Misericórdia, Rua da Vala, entre outros. O romance se trata de relatos do passado que são reconstruídos pela lembrança, as personalidades e costumes das pessoas no começo do século XIX, época em que apenas à aristocracia era representada na literatura.



Ficha Técnica do livro

País de origem: Brasil 

Nome: Memórias de um Sargento de Milícias 





                                                                                                         

                                                    

 


sábado, 25 de junho de 2022

CRÍTICA | O DESPERTAR: PARTE UM, DE SCOTT SNYDER, SEAN MURPHY E MATT HOLLINGSWORTH

                               Horror e mistérios no fundo do mar                                        

                                        Escrita em 08/06/2022 por Victor Hugo Sigoli de Campos


história em quadrinhos da Vertigo/ DC Comics abarca meio ambiente e destruição da humanidade, o roteirista Scott Snyder insere elementos de horror na temática de ficção científica. A doutora Lee Archer estuda cetologia – estudo dos mamíferos marinhos – é convidada por Astor Cruz pesquisador-chefe da Agência Nacional de Oceanos e Atmosfera para investigar sons misteriosos detectados na encosta sul do Alasca. Cruz promete ajudar Lee recuperar a tutela do filho, e a convence embarcar na missão. 

Ao chegar na base, a protagonista deverá trabalhar em equipe, com Bob Wainright, do mesmo campo de estudo, Dr. Marin professor de folclore e mitologia na Universidade Brown, Leonard Meeker,  engenheiro e arquiteto oceânico, e a capitã Mackelmay. Os pesquisadores descobrem a relação de baleias e golfinhos com o monstro, ademais, análises sobre animais marinhos e o mito sobre sereias desvendam segredos. Em flashbacks, vemos à chegada de “seres estranhos” na Terra, em flashforwards, vemos a humanidade sendo destruída por tsunamis, a história transmite a ideia de ciclo, porém, o argumento é de que as ações humanas estão levando ao fim do mundo.

Os desenhos são de Sean Murphy e focados nos personagens e suas interações com o ambiente, os rostos que por vezes assumem o formato de figuras geométricas, dão a impressão de brutalidade à narrativa, agravando o seu aspecto caricato. Animais, trajes, mar, plataforma submarina, maquinário, possuem designs detalhados, gerando a sensação de verossimilhança.

O artista digital Matt Hollingsworth criou as paletas de cores da hq, o azul está presente nas salas do submarino e na água, suscitando a sensação de frieza e solidão, combinando a cor com os locais fechados, já, a criatura com seus olhos maus e vazios é uma predadora implacável. O enredo se desenvolve de forma abrupta, incorrendo na nulidade do clímax.     

Com diversidade, representatividade e liderança femininos, e questões sobre o futuro do mundo, a história mostra-se muito atual. Os autores casam com dinamismo, ficção científica e terror.    
















Ficha Técnica da HQ 

País de origem: Estados Unidos 

Nome: O Despertar 



             

                                                                           


sábado, 4 de junho de 2022

CRÍTICA | A GUERRA DOS TRONOS: LIVRO 1 - AS CRÔNICAS DE GELO E FOGO, DE GEORGE A. A. MARTIN

Conheça o mundo autêntico, fantástico e conflituoso, criado por George R.R. Martin 

Escrita em 07/05/2022 por Victor Hugo Sigoli de Campos 



A Guerra dos Tronos é a saga literária de ficção fantástica escrita por George R.R. Martin. A história se passa em Westeros, continente onde está localizado o Ocidente, de norte a sul e leste a oeste, é formado por muitas regiões, com características geográficas diversas, com montanhas, florestas e planícies, o norte é dominado pelo inverno, com intensas nevascas e o frio ameaçador, já o sul, tem clima quente, desertos, cidades, e comércios. Há quinze anos aconteceu o Saque de Porto Real, pois o soberano Aerys Targaryen II foi acusado de cometer vários assassinatos, então, Lannisters, Baratheons, e Starks se unem para destituí-lo, começando o Saque a Porto Real, os sobreviventes foram os irmãos Viserys e Daenerys.   

O Rei Robert Baratheon convida seu amigo Eddard para substituir a Mão do Rei, Jon Arryn, falecido recentemente. A frente da comitiva real, é obrigado a trabalhar com os representantes de sua Majestade, Petyr Baelish ou “Mindinho” é o Mestre da Moeda, o idoso meistre Pycelle que é médico, Varys que possui muitos contatos, e Sor Barristan Selmy Chefe da Guarda de Porto Real.


                                                        


Eddard "Ned" é o “Protetor do Norte”, homem honrado, justo e severo, é casado com Catelyn, e pai de cinco filhos, Robb e Jon Snow, têm catorze anos, Sansa onze, Arya nove, Brandon sete, e Rickon três, moram em Winterfell. Em sua dinâmica com os integrantes do conselho, sente-se preso pelos luxos que lhe são oferecidos, nas comidas e bebidas, sendo afastado da esposa e dos filhos. Arrepende-se de ter participado do massacre ao reino quinze anos antes.   

Catelyn lida com seriedade ser esposa e mãe, quando um dos filhos sofre uma tentativa de assassinato parte para Correrio, Porto Real e Vale de Arryn para investigar quem ordenou o ato e fazer justiça, inclusive, afrontando poderosos e criando inimigos. A senhora Stark trata Jon com grosseria e tenta mantê-lo afastado dos irmãos, pois, é bastardo, evitando discutir a infidelidade do marido.

A família taciturna e agressiva, tal como o lobo, o seu lema é “O Inverno Está Vindo”, referindo-se a chegada de períodos duros, também motivador, já que o animal é habituado aos climas frios. As casas vassalas que servem ao Stark são, Mormont, Karstark, Umber, Hornwood, Flint, Cerwyn, Bolton, Manderly, Reed, Glover e Tallhart. 

Leitura de trecho da página 35: Ned e o Rei, estão nas criptas dos Reis do Norte, conversam sobre passado e presente.  

“Seguindo um costume antigo, uma espada de ferro tinha sido colocada sobre o colo de todos os que não tinham sido senhores de Winterfell, a fim de manter os espíritos vingativos em suas criptas. A mais antiga havia muito enferrujara até a inexistência, deixando apenas algumas manchas vermelhas onde o metal tocara a pedra. Ned perguntou a si mesmo se isso significava que os espíritos estavam livres agora para passear pelo castelo. Esperava que não. Os primeiros Senhores de Winterfell tinham sido tão duros como a terra que governavam. Nos séculos anteriores à vinda dos Senhores do Dragão do outro lado do mar, não tinham jurado fidelidade a ninguém, fazendo tratar-se por Reis do Norte.”

“Ned parou, finalmente, e ergueu a lanterna. A cripta continuava à sua frente mergulhando na escuridão, mas para lá daquele ponto as tumbas estavam vazias e por selar; buracos negros à espera de seus mortos à espera dele e de seus filhos. Ned não gostava de pensar naquilo.” Pensando nos seus antepassados Ned reflete em relação ao destino dos filhos: estariam destinados a lutarem e morrerem?

O Rei Robert Baratheon é chamado de “Usurpador”, visualmente é parecido com Thor, luta com um martelo, tem grandes cabelos e barba, é conhecido por sua coragem e força demonstrados nos campos de batalha, entretanto, cedeu aos vícios, bebida, comida e sexo, sua negligência deixou o reino corrompido e endividado. Sua esposa é Cersei Lannister, dominadora e calculista, com sua beleza e modo de falar persuasivo, convence todos a seguirem suas ordens. O seu casamento está decadente, Cersei evita fazer aparições públicas com o marido, e no íntimo o despreza.     



Um leão dourado em campo carmesim e a frase “Ouça – Me Rugir !” é o emblema dos Lannisters, cujo patriarca é Lorde Tywin “O Senhor do Ocidente” mora em Rochedo Casterly, seu primogênito é Jaime conhecido por “Regicida”, e sua filha é a Rainha. É monarca influente e líder militar, ensinou os filhos a sede por domínio, "parece ter o rosto esculpido em pedra" como diz Martin, tem olhar frio e soberano e atitudes imponentes. Tyrion é o filho mais novo, é inteligente e observador, embora, seja anão, se recusa a ser submisso...Conhece Jon Snow em Winterfell, o sentimento de exclusão por suas famílias, gera empatia entre ambos. 



                                                                        

No sul de Westeros, na cidade de Pentos, moram Viserys “O Rei Pedinte” com dezoito anos e Dany com treze. A relação é traumatizante para Daenerys, porque sofre com abusos do irmão, que a vende ao Príncipe Dothraki, Khal Drogo, em troca de apoio para sua desforra contra o “Usurpador”.

Dothrakis são inspirados nos mongóis e nos índios norte-americanos, os “Senhores dos Cavalos” habitam a planície do continente de Essos, são nômades e atacam povoados, levando ouro, alimentos, animais, utensílios para seus enormes grupos, os Khalazares, compostos homens, mulheres, idosos e crianças, são liderados por um Khal, ou rei, é seguido pelos seus parceiros de sangue os Dothrakhqoyi que devem protegê-lo e vingá-lo. A Khaleesi é esposa em seu idioma e deve gerar filhos fortes, sua cultura honra o cavalo venerando o Deus Cavalo, alimentando-se da carne do animal, e acreditando no "Grande Garanhão" que montará o mundo e unirá todos os Khalazares.


                                                            
      


Ao se casar com Drogo, a “Filha da Tormenta” fica assustada e perplexa com seu marido e o seu povo, mas se apaixonam, e ganha um protetor fiel e forte, Jorah Mormont. A princesa é irmã também de Rhaegar, e ambos são filhos de Aerys II “O Rei Louco” com a irmã Rhaella. Descendente dos últimos habitantes da Cidade Franca de Valíria, Aegon “O Dragão” foi o primeiro rei da Antiga Dinastia marcada por incestos e disputas de parentes, em todas as gerações. “Fogo e Sangue” e um dragão vermelho de três cabeças, simbolizando Aegon e suas irmãs, Visenya e Rhaenys, em sua aparência se destacam seus cabelos ouro-prateados ou branco-platinados e olhos cor índigo, lilases ou violeta.

Os núcleos narrativos estão divididos entre o norte (Winterfell, Correrio e Vale de Arryn), Porto Real, e sul (Pentos e o Khalazar). Jon Snow está se tornando Irmão Juramentado da Patrulha da Noite, e Robb o Senhor de Winterfell, liderança ganha diversas faces com Eddard, Robert e Tywin, Bran e Tyrion demonstram superação de traumas, e Catelyn, Cersei e Daenerys usam seu poder em defesa de suas famílias. O instigante roteiro levará o leitor a refletir sobre guerra, política e família, e os personagens são apresentados com base em suas bandeiras compostas por animais e seus princípios, criando personalidades através de seus dilemas e emoções.

Leitura de trecho da página 244. Porto Real é uma cidade com beleza exterior, parecidas com as contos de fadas, mas, internamente guarda segredos obscuros, a filha caçula de Ned, Arya, explora a capital descobrindo-os.    

“Seus dedos roçaram pedras ásperas, sem acabamento, à sua esquerda. Seguiu a parede tocando levemente a superfície, avançando com pequenos passos deslizantes pela escuridão. Todos os átrios levam a algum lado. Onde há uma entrada, há uma saída. O medo golpeia mais profundamente que as espadas. Arya decidiu que não teria medo. Parecia já ter percorrido um longo caminho quando a parede terminou abruptamente e uma aragem de ar frio soprou seu rosto. Cabelos soltos agitaram-se levemente contra sua pele.”

“Vindos de algum lugar, muito abaixo, ouviu ruídos. O raspar de botas, o som distante de vozes. Uma luz vacilante passou pela parede, ligeira, e ela viu que se encontrava em torno de um grande poço negro, um precipício com seis metros de lado a lado, que mergulhava profundamente na terra. Enormes pedras tinham sido enfiadas nas paredes curvas para formar degraus, espiralando para baixo, e mais para baixo, escuras como os degraus do inferno sobre os quais a Velha Ama costumava lhe falar. E algo subia, vindo da escuridão, das entranhas da terra...”

“Arya espreitou por sobre a borda e sentiu a fria aragem negra no rosto. Muito abaixo viu a luz de um único archote, pequeno como a chama de uma vela. Distinguiu dois homens, suas sombras se contorciam contra os lados do poço, altas como gigantes. Conseguia ouvir suas vozes ecoando pela chaminé acima.”

“- ... encontrou um bastardo – disse um deles. – O resto virá em breve. Um dia, dois, uma quinzena...”

“- E quando souber a verdade, o que vai fazer ? – perguntou uma segunda voz no sotaque fluído das Cidades Livres. “

“- Só os deuses sabem – disse a primeira voz. Arya conseguiu ouvir um filamento de fumaça cinzenta que saía do archote, contorcendo-se como uma serpente enquanto subia. – Os idiotas tentaram matar seu filho e, o que é pior, fizeram da tentativa uma farsa. Ele não é homem que ponha de lado algo assim. Pode ter certeza de que o lobo e o leão logo se atirarão à garganta um do outro, quer queiramos ou não.”

Martin apresenta um universo de fantasia, com lobos e ursos gigantes, e dragões, representam a fauna sombria das regiões onde habitam. A realidade está presente na essência dos personagens e em suas experiências de vida, na hierarquia social, os homens se tornando guerreiros na adolescência, e casamentos por interesses políticos, conforme, acontecia na Idade Média. A obra introduz o conflito e suas origens, e a forma que estes elementos influenciarão a guerra de reinos que alcançaram o poder juntos, e vão lutar entre si pelo Trono de Ferro.

                  

  


 


















                                                            HOUSE TALLHART 



Fonte das imagens: Pinterest. 


Ficha técnica 

País de origem: Estados Unidos 

Nome: A Guerra dos Tronos; Livro 1 - As Crônicas de Gelo e Fogo 



                                                            






 

 

 


sábado, 15 de janeiro de 2022

CRÍTICA | DEATH NOTE: BLACK EDITION VOL. III, DE TSUGUMI OHBA E TAKESHI OBATA

 Escrita por Victor Hugo Sigoli de Campos 12/ 01/ 2022 



O terceiro capítulo de Death Note continua a história de Light Yagami, e a caçada ao Kira desenvolvida pela Agência Nacional de Polícia, após L prender o inimigo e a sua namorada, tenta provar que o casal é o primeiro e o segundo Kira, mas não consegue e é obrigado a libertá-los. O surgimento do terceiro assassino que comete crimes usando o caderno implicará que o detetive e seus antagonistas voltem a trabalhar juntos. 

A trama de Tsugumi Ohba segue com diálogos concisos que expandem o assunto, neste capítulo estão no foco da narrativa os diretores do departamento de tecnologia do Banco Yotsuba que usam os poderes do caderno para manipularem mortes que favorecem ao crescimento da empresa. São eles Ooi, Kida, Shimura, Takahashi, Namikawa, Hatori, Higuchi e Mido. O atual portador do caderno é ambicioso, cruel e, estrategista nato, sua grande ambição é se tornar Presidente do Banco, adotando praticas para manipular a polícia, por exemplo, matar políticos usando o caderno, obrigando a Agência Nacional encerrar as investigações contra o serial killer. 

As tensas reuniões entre os oito diretores mostram que um deles está manipulando os demais, e as vítimas executadas são positivas para todos os envolvidos. Os membros da Agência Nacional são obrigados a agirem na ilegalidade, uma escolha de roteiro questionável, pois, torna a trama previsível e o grupo dos conspiradores um elemento descartável.

A arte de Takeshi Obata tem desenhos límpidos e leves, sem uma gama de detalhes. Com a habilidade de cinegrafista, Obata alterna o enfoque a cada quadro, para dar mais ritmo ao enredo. O Shinigami Ryuk não está na história, porque no volume anterior Light arquitetou um plano para se livrar das suspeitas de “L”.     

Na ausência do Shinigami principal, Rem é o elemento sobrenatural mais importante da terceira parte (além do Death Note), a entidade continua sua missão de proteger Misa Amane, para concretizar o seu objetivo entrega o caderno de Light para o novo portador, mesmo que o feito possa levar a punições irreversíveis. A participação de Amane é decisiva para o namorado desenvolver seus planos, já, Mogi e Watari, destacam-se em momentos de ação e espionagem, Matsuda é o alívio cômico e é essencial para as estratégias do grupo investigativo.

O confronto mental entre Yagami e Ryuzaki não acontece nesse volume, fato que enfraquece a dinâmica de rivalidade construída nos capítulos anteriores. Ao decidir que o adolescente deve abdicar do material o roteirista está adicionando uma nova pergunta na relação do jovem com o Deus da Morte, de que Ryuk o possuiu, ou, será que Light tem doenças psicológicas ? Entre acertos e tropeços os autores produziram uma parte interessante e que beneficia as intenções do protagonista.

                                                                                               

Os oito criminosos em suas reuniões (Arquivo Pessoal)



                       

   












Light Yagami e L perseguindo o Novo Kira de helicóptero. (Arquivo Pessoal) 


 


Uma das capas da edição original (Arquivo Pessoal)

  

Sugestão: Crítica do Death Note Vol. II

                                               

Ficha técnica do livro 

País de origem: Japão  

Nome: Death Note - Black Edition Vol. III

Autor: Tsugumi Ohba, Takeshi Obata 

Editora original: Shueisha

Ano original de publicação: 2003

Editora no Brasil: JBC

Tradução: Rica Sakata  

Ano de publicação: 2010

Páginas: 400