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sábado, 10 de julho de 2021

CRÍTICA | ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA, DE JOSÉ SARAMAGO


Escrito em 08/07/2021 por Victor Hugo Sigoli de Campos



O livro “Ensaio sobre a cegueira” foi escrito por José Saramago e, publicado em 1995, somos apresentados a personagens que estão em seu dia a dia normal, e simplesmente, tornam-se cegos. Os protagonistas da obra são, O Oftalmologista, A Esposa do Oftalmologista, O Primeiro Cego, A Esposa do Primeiro Cego, O Velho da Venda Preta, O Garotinho Estrábico e A Rapariga de Óculos Escuros, eles se conhecem no consultório do Oftalmologista e formam um grupo que segue junto até o fim da obra. O governo e o exército acreditam que a cegueira é uma doença, e colocam à força todos os cidadãos que estão acometidos pela cegueira em um hospital psiquiátrico.

Os personagens que há pouco viam, agora, estão cegos, a cegueira os envolve na “brancura”, “no mar de leite”, os cegos querem enxergar, mas não conseguem e não podem, não veem quem está ao lado, não veem o que está acontecendo, porque estão cegos. O Oftalmologista, A Esposa do Oftalmologista, O Primeiro Cego, A Esposa do Primeiro Cego, A Rapariga dos Óculos Escuros, O Menininho Estrábico e O Velho da Venda Preta, enfrentam medo e sofrimento que os atingem, durante o cegueira e confinamento.   

O exército entrega alimentos para todos, mas surgem as facções de cegos que controlam água e comida, e dividem com os outros cegos, se eles aceitarem às suas explorações, ademais, as facções causam estupros e assassinatos dentro do manicômio. A situação dos protagonistas passa a ser de luta pela sobrevivência, então, a crítica que o autor faz é, quando as pessoas estão cegas elas não veem a quem elas fazem mal e nem quem lhes faz mal. 

A leitura de “Ensaio sobre a cegueira” é pesada, pois a sua narrativa é melancólica e profunda, e o objetivo do autor é levar o leitor a refletir e a sentir esse peso que ela possui. A cegueira se espalha pela cidade e a leva ao colapso, ainda que o autor não enuncie o local onde ela acontece, o leitor compreende que a narrativa é válida para qualquer país.

Os personagens não têm nome, o autor intitula-os de acordo com as suas características, que enfatizam as tragédias sofridas por cada um. Compreendi o banho na chuva que A Rapariga de Óculos Escuros, A Mulher do Oftalmologista e A Mulher do Primeiro Cego tomam, é a única demonstração de alívio em todo o texto, porque, descarregam toda sujeira e sofrimento que estão empesteando-as.    

Como diz o trecho da página 306:  “Costuma-se até dizer que não há cegueiras, mas cegos, quando a experiência dos tempos não tem feito outra coisa que dizer-nos que não há cegos, mas cegueiras."

O livro envolve o leitor, que quanto mais o lê, mais é imerso pela “brancura”, pelo “mar de leite”, assim como, os personagens do livro. Saramago nos questiona sobre o que é ver, a narrativa não explica como surgiu a cegueira, mas os personagens sabem que ela é real e, precisam olhar para si mesmos e pensar que talvez, a resposta para cegueira seja, refletirem em relação as suas próprias vidas.     

Ficha Técnica

Nome: Ensaio Sobre a Cegueira

Autor: José Saramago

Editora: Companhia das Letras 

Número de páginas: 310

  

                                  

                        


sábado, 26 de junho de 2021

VENHA CONHECER JOHN RUSSO, O ROTEIRISTA DE A NOITE DOS MORTOS-VIVOS


                                     A criação do subgênero zumbi



Escrito em 25/06/2021 por Victor Hugo Sigoli de Campos 

O roteirista, produtor e diretor de cinema, John Russo nasceu em 2 de fevereiro de 1939, em Clarion, Pensilvânia. O roteirista, junto ao seu amigo e, diretor George Romero, o produtor Russel Streiner e o ator Rudy Ricci fundaram a produtora de filmes de terror The Latent Image. 
                                                                                                              
 John Russo        
 





















George A. Romero     





















Russell Streiner 






















Rudy Ricci 















O primeiro filme produzido pelo estúdio foi A Noite dos Mortos-Vivos de 1968, com produção de Streiner, direção de Romero e roteiro de Russo, e protagonizado por Duane Jones e Judith O'Dea. Em 1971 Russo produziu a comédia romântica Sempre tem baunilha, e George Romero dirigiu o filme. Em 1973 Russo romanceou e publicou A Noite dos Mortos-Vivos. No ano de 1976 Russo produziu, roteirizou e dirigiu a comédia erótica Bobby Hatch. 

Em 1982 John Russo roteirizou e dirigiu o terror "trash" Meia-noite, o filme não foi processado, mas foi apreendido e confiscado no Reino Unido pela Seção 3 da Lei de Publicações Obscenas de 1959. Porém, foi relançado no país em 1985, com novo título, O Massacre de Blackwoods. Em 1986 o diretor William Hinzman comandou As Majorettes, cuja a trama produzida e roteirizada por Russo foca na caçada a um assassino em série. Em 1996 produziu, escreveu e dirigiu o filme Garras do papai noel também terror independente, protagonizado pela a atriz Raven Quinn que sente os males da fama. 

Em 2001 foi produtor executivo de Filhos dos Mortos-Vivos, que foi escrito por Karen Lee Wolf e dirigido por Tor Ramsey. Em 2002 roteirizou e dirigiu Saloonatics, filme de gênero criminal. Meu Tio John é Um Zumbi de 2016, que escreveu e dirigiu. Como ator trabalhou em A Noite dos Mortos-Vivos, Sempre Tem baunilha, As Majorettes, Garras do papai noel e Meu Tio John é Um Zumbi.  

John Russo direcionou sua carreira em criar filmes independentes, produções com orçamento modesto e atores inexperientes. A Noite dos Mortos-Vivos renovou o gênero do terror ao criar o subgênero zumbi, e por ter sido o primeiro  filme de terror protagonizado por um ator negro, Duane Jones interpretou Ben, o personagem principal da história, tornando a obra um símbolo do cinema contra o racismo. George Romero e John Russo realizaram o filme em preto e branco, e condensaram o horror de sobrevivência às críticas sociais e políticas dos Estados Unidos. 

É um dos maiores clássicos do cinema de terror, assim como, Psicose (1960), O Bebê de Rosemary (1968) e O Exorcista (1973). Em 1999 o filme foi catalogado ao Registro Nacional de Filmes pela Biblioteca Nacional do Congresso do Estados Unidos, por ser considerado historicamente e culturalmente importante para a sociedade. Em 2018 a editora lançou a adaptação literária, em comemoração aos 50 anos do filme, levando o roteiro original do filme para quem não assistiu e para quem assistiu é uma oportunidade de reviver a obra na leitura, numa edição caracterizada, e ilustrada pelo desenhista Danilo Beyruth. 

Se os zumbis estão tão inseridos no imaginário popular, esse fato se deve ao cineasta George Romero e o roteirista John Russo, com filmes, livros, séries, jogos. O  ator Ruddy Ricci e o produtor Russell Streiner que criaram a produtora com os dois amigos, pelo desejo de desenvolverem projetos cinematográficos e impactarem a sétima arte. 


Filmes: A Madrugada dos Mortos (2004), Todo Mundo Quase Morto (2004), Zumbilândia (2009), Guerra Mundial Z (2013), Invasão Zumbi (2016) e Zumbilândia: Atire Duas Vezes (2019). 

Séries: The Walking Dead, Fear The Walking Dead, Dança da Morte, Z Nation, World Beyond e IZombie.  

Livros e HQs: The Walking Dead, A Dança da Morte e Elevador 16. The Walking Dead, Zombie Tales, Zombies vs Robots e Y: O Último Homem. 

Jogos: Resident Evil, The Last Of Us e Days Gone.   

Música: O clipe Thriller do álbum Thriller do cantor e ícone da música Michael Jackson, lançado em 1982. 

  
  


 

                                                                     
                                                                                                                                                                                             
                                                                                                              



Sempre tem baunilha




  













Meia-noite 























As Majorettes 





















Meu Tio John é Um Zumbi





Garras do papai noel 





 

A Noite dos Mortos-Vivos (Ilustrações da edição da Darkside Books). 

                          
                                              
 






                                         







Fontes: 

 Livro 1001 Filmes Para Ver Antes De Morrer, Steven Jay Schneider, Editora Sextante, 2008.  

Imagens Google 

A Noite dos Mortos Vivos, John Russo, Darkside Books, 2018. 



Aventuras na História · Sobre Noite do Mortos Vivos (uol.com.br) (clicar no primeiro link na pagina seguinte)




A Noite dos Mortos-Vivos (1968) - IMDb 


There's Always Vanilla (1971) - IMDb


Midnight (1982) - IMDb


Retratos da Morte (1987) - IMDb


Santa Claws (1996) - IMDb


                                                                                    




















































sábado, 12 de junho de 2021

TODAS AS CRÍTICAS ATÉ AGORA

                                          

Escrito por Victor Hugo Sigoli de Campos em 11/06/2021 

Já passou um ano desde a criação do meu blog, camposdelivros.blogspot.com, então é super válido relembrar todas as críticas que eu fiz até agora, de histórias em quadrinhos a livros. E você caro leitor, agradeço por visualizar as críticas e, deixe sua opinião em relação as publicações, as críticas e a organização do blog em geral e, não esqueça de compartilhar. Obrigado! Boa noite! E nos vemos nas próximas publicações! 

                              Críticas de histórias em quadrinhos 


CRÍTICA - O REI AMARELO








CRÍTICA - SOB O SOLO













CRÍTICA - SANDMAN: PRELÚDIOS E NOTURNOS













CRÍTICA - CIDADE SELVAGEM












                                          

                                       Críticas de livros



CRÍTICA - A METAMORFOSE, DE FRANZ KAFKA











CRÍTICA - REALIDADES ADAPTADAS, DE PHILIP K. DICK













CRÍTICA - OS PRÓPRIOS DEUSES, DE ISAAC ISAMOV













CRÍTICA - O VELHO E O MAR, ERNEST HEMINGWAY













CRÍTICA - AS INTERMITÊNCIAS DA MORTE, DE JOSÉ SARAMAGO













CRÍTICA - A NOITE MORTOS - VIVOS E CRÍTICA - A VOLTA DOS MORTOS - VIVOS, DE JOHN RUSSO













CRÍTICA - AS AVENTURAS DE TOM SAWYER, DE MARK TWAIN













CRÍTICA - O NOME DA ROSA, DE UMBERTO ECO













CRÍTICA - O VERMELHO E O NEGRO, DE HENRY MARIE-BEYLE













CRÍTICA - O ASSASSINATO E OUTRAS HISTÓRIAS, DE ANTON P. TCHEKHOV













CRÍTICA - BRÁS, BEXIGA E BARRA FUNDA, DE ANTÔNIO DE ALCÂNTARA MACHADO













CRÍTICA - CONTOS NOVOS, DE MÁRIO DE ANDRADE













                                      


sábado, 22 de maio de 2021

CRÍTICA | CONTOS NOVOS, DE MÁRIO DE ANDRADE

 

                         Escrita em 15/05/2021 por Victor Hugo Sigoli de Campos 

O livro “Contos Novos” foi escrito por Mário de Andrade, entre 1937 e 1945, e desenvolve os personagens abordando-os psicologicamente durante meses ou em anos das suas vidas. Juca é o protagonista e narrador das histórias “Vestida de Preto”, “Frederico Paciência” e “O Peru de Natal”, em “Tempo da Camisolinha” Carlos e “O Ladrão”, “Nelson”, “O Poço” e “Atrás da Catedral de Ruão” são relatados pelo autor. “Vestida de Preto” apresenta Maria, jovem e interesse amoroso de Juca, a personagem é retratada sem estereótipos, e se destaca também a diferença de condição social entre ela e Juca como fator determinante para a relação entre os dois.  

“O Peru de Natal”, enquanto Juca e seus familiares preparam a ceia para o Natal, o leitor percebe a condição econômica em que os personagens vivem através das descrições da casa, dos preparativos e da comoção, o conto retrata com simbolismo o momento natalino. “Frederico Paciência” também é narrado por Juca, que conta o romance que teve com o Frederico durante a adolescência... Aborda com sensibilidade o amor que surge entre os dois personagens e seus três anos de relacionamento. “O Poço” apresenta os trabalhadores da fazenda de Joaquim Prestes, o conto revela-se tenso à medida que o fazendeiro ordena que os homens façam o trabalho exaustivamente, o autor desenvolve crítica social na narrativa.

“O Ladrão” o conto começa no momento em que um policial está perseguindo um ladrão pela vizinhança à noite. Aos poucos as luzes das casas vão se acendendo e os moradores começando a sair na rua, e a situação assustadora desaparece para dar espaço a uma festa, que é interrompida pela eminência do trabalho no dia seguinte. “Primeiro de maio” aborda a rotina de um trabalhador comum durante o governo autoritário de Getúlio Vargas, a preocupação e o medo de nº. 35 são as sensações dos trabalhadores da época.


                                                                                             
                                                               

       

Em “Tempo da Camisolinha” Carlos é o narrador-personagem e conta a respeito de seu desejo de mudar de gênero... O local das suas experiências é a casa na praia que frequenta com sua família. “Atrás da Catedral de Ruão”, Mademoiselle é francesa e professora de Alba e Lúcia, filhas de uma mulher rica e envolvida em política... A vida da protagonista contrasta com a das duas irmãs, que anseia em diminuir a monotonia da sua vida. “Nelson”, acontece em um bar onde quatro amigos se reúnem para conversar sobre um homem que também frequenta o local, e que teve um romance conturbado com uma paraguaia. Interpelam a relação do casal através dos comentários que foram ditos por outros sobre o homem misterioso... Que depois de passar a noite bebendo vai tenso para a sua casa, dando abertura para a interpretação dos leitores.

As histórias contadas no livro apresentam seus personagens enquanto descrevem seus cotidianos aos leitores. Os diálogos representam o modo de falar do brasileiro, aglutinando palavras, não seguindo as pontuações e repetindo de expressões populares. 

Reflete sobre o cotidiano das pessoas na época do Estado Novo e o impacto das políticas de Getúlio Vargas nos trabalhadores, vertendo o seu dia a dia em regrados, automatizados, monótonos e tensos. O autor imprime nos personagens os seus estudos de psicanálise, revelando suas angústias e perdas.         


   Ficha Técnica

   Nome: Contos Novos 

   Autor: Mário de Andrade

   Editora: Click Editora/ Jornal O Estado de S. Paulo

   Número de páginas: 160 



                                         


 

sábado, 8 de maio de 2021

CRÍTICA | BRÁS, BEXIGA E BARRA FUNDA, DE A. ALCÂNTARA MACHADO

Escrita em 02/05/2021 por Victor Hugo Sigoli de Campos 


O livro “Brás, Bexiga e Barra Funda” é uma sequência de contos que retratam a vida dos imigrantes italianos na cidade de São Paulo. Escrito em 1926 por Antônio de Alcântara Machado e publicado no jornal “O Estado de São Paulo”, onde o autor era redator. Com criatividade e humor desenvolve histórias sobre os cidadãos italianos que vieram se estabelecer no início do século passado.

A base para os contos são os acontecimentos fugazes e notícias de jornais, por exemplo, um homem passeando com seu cachorro o autor converge para uma narrativa, conheceremos alguns agora...  O conto “Amor e sangue” , retrata um crime passional que parece ter saído de um caderno de notícias, enquanto, “Tiro de guerra nº. 35”, apresenta ao leitor um jovem chamado Aristodemo Guggiani patriota que tenta ser militar, mas a sua conduta no quartel é questionada pelo Sargento Aristóteles Camarão de Medeiros. “Carmela” aborda o charme feminino, em uma jovem que deseja encontrar o seu “príncipe encantado”.



                  

   


                                                                                                            “Gaetaninho” e “Corinthians 2 x 1 Palestra”, destacam a tradição do futebol de São Paulo, o primeiro enfatiza o perigo em se jogar bola na rua, o segundo conto é protagonizado por duas garotas que são amigas, a Iolanda que é corintiana e a Miquelina que é palestrina, enaltecendo a histórica rivalidade entre Corinthians e Palmeiras, em uma partida empolgante e aguerrida. “Nacionalidade” é protagonizado pelo imigrante italiano Tranquillo Zampinetti que é muito expressivo e é barbeiro da Rua do Gasômetro, e está tentando conseguir cidadania brasileira. “A Sociedade” é protagonizado por Adriano Melli “o italiano das batatas”, que deseja casar com Teresa Rita, cujo pai diz não gostar de carcamanos.

“O Patriota Washingthon” apresenta o pomposo doutor Washingthon, na minha percepção uma possível sátira dos patriotas e como era para eles o significado de progresso. “Armazém Progresso de São Paulo”, retrata uma família de imigrantes italianos. Vendedores do bairro do Bexiga, o conto termina de forma simbólica, com a proprietária do mercado visualizando um futuro de prosperidade para a família. “O inteligente Cícero” apresenta um garoto que é filho do Major Manuel de Sá e de Dona Francisca, que pagam muitos estudos para ele e lhe dão muitos presentes, é um dos contos que mais faz o leitor questionar o que está nas entrelinhas.   

“O aventureiro Ulisses” o protagonista Ulisses está perambulando pela zona leste da cidade de São Paulo, mas pressente que tem algo de errado... O leitor questiona: “Quem é Ulisses? Como ele “caiu” no centro de São Paulo?  “O Tímido José” José é o personagem principal do conto, em um dia chuvoso e nebuloso...está no Vale do Anhangabaú esperando o seu bonde até que... O enredo vai se desenvolvendo até o leitor ser envolvido por completo na história. O autor usa muitos recursos linguísticos, por exemplo, onomatopeias “prrrii” (apito de juiz de futebol) e “dlim – dlim” (sineta de escola), elementos que caracterizam os ambientes onde os personagens estão, assim como descrições, de roupas, casas e locais de trabalho, adentram o leitor na narrativa.

Os contos são narrados ora por um narrador observador, ora por um narrador onisciente, é perceptível que os personagens são estereótipos, por exemplo, os homens são os provedores da casa, e as mulheres estão sempre querendo namorar, casar ou já estão em um relacionamento quando a narrativa começa. Os diálogos são curtos e simples, aludindo a forma comum de falar das pessoas. O leitor compreende o livro como um passeio por São Paulo, pelas avenidas, Celso Garcia, Higienópolis e Paulista, os bairros, Brás, Bexiga, Barra Funda e Liberdade, a rua Barão de Itapetininga e a Rua do Gasômetro, e o Largo Santa Cecília. Antônio de Alcântara Machado retrata com licença poética a imigração italiana para o Brasil, e seus desejos em se estabelecerem e prosperarem no país.        

  

  Ficha Técnica

  Nome: Brás, Bexiga e Barra Funda

  Autor: Antônio de Alcântara Machado

  Editora: Klick Editora/ Jornal O Estado S. Paulo

  Número de páginas: 169

                                  


                                  

 

 

sábado, 24 de abril de 2021

CRÍTICA HQ | CIDADE SELVAGEM, DE WARREN ELLIS E BEN TEMPLESMITH

                                                                        

Escrita em 21/04/2021 por Victor Hugo Sigoli de Campos 

Fonte Google Imagens 



A história em quadrinhos “Cidade Selvagem Vol. 1” foi publicada de 2005 a 2008 pela editora Image Comics, chegando ao Brasil em 2014 pela editora Mythos Books. Richard Fell é um investigador recém-transferido para o departamento de polícia de Snowtown, uma cidade misteriosa e violenta.

Durante os nove capítulos lemos histórias de crimes que devem ser desvendados pelo protagonista, que tem suas próprias maneiras de investigar e lidar com suspeitos, enquadrando-se no contexto predominante em Snowtown. O roteiro escrito por Warren Ellis é transgressor e o leitor compara os casos da narrativa com casos da realidade, e que são lidos em jornais ou vistos na TV. Os personagens coadjuvantes são essenciais para capturar a atenção do leitor em cada caso, a atendente do bar, Mayko, o tenente Beard, uma freira assustadora, e psicopatas se opondo ao novo policial de Snowtown.    

Os desenhos feitos por Ben Templesmith são escuros e as cenas de ação são verossímeis, retratando uma cidade soturna e perigosa. O único elemento que pouco apetece ao leitor é o protagonista, embora o motivo de sua transferência aguce a curiosidade do leitor, a abordagem a esse aspecto é dúbia, as falas “do outro lado da ponte é isso” ou “do outro lado da ponte é aquilo” são incompatíveis com a ação, arte e à história.  O suspense “Cidade Selvagem” tropeça em aspectos pontuais, mas cumpre com sua proposta ao instigar as discussões sobre o uso da força policial e o sistema de segurança pública em colapso.                                                                                                                                        


Fonte Google Imagens 
Fonte Google Imagens 
                                                                                            



 

Fonte Google Imagens 

Ficha Técnica

Nome: Cidade Selvagem  

Autores: Warren Elis e Ben Templesmith

Editora: Image/ Mythos 

Número de páginas: 168

 



                                        


sábado, 10 de abril de 2021

CRÍTICA | O ASSASSINATO E OUTRAS HISTÓRIAS, DE ANTON TCHEKHOV

                       Venha se sensibilizar pela crítica social russa

Escrita em 06/04/21 por Victor Hugo Sigoli de Campos 


O livro compila todos os contos escritos pelo contista e dramaturgo russo Anton Tchekhov entre os anos de 1894 e 1900. Reflete sobre a vida da população da Rússia cinco anos antes do início da queda do império. A maior parte da população vivia nas zonas rurais e passava por diversas necessidades geradas pela miséria, sustentando o governo, enquanto eram exploradas e escravizadas. Os personagens são complexos e problematizados. "O professor de letras" nos apresenta Nikítin, um jovem docente, às voltas com questões profissionais e sentimentais, se apaixona por uma jovem de família abastada e eles se casam. Com ironia percebemos as insatisfações e perturbações do protagonista.

"Iônitch" apresenta ao leitor o médico Dmítri Iônitch Startsev, que é recém-chegado na cidade e se torna amigo particular da família Turkin, da nobreza russa. Depois de jantar duas vezes com a família, o médico começa a criticar o modo de vida dos Turkin, e de repente decide afastá-los. Ao mesmo tempo, em que o médico desenvolve seu olhar crítico em torno da família, não percebe que ambos em seus padrões de vida são idênticos um ao outro.

"O assassinato" é um conto dramático, e aborda a vida de uma família cristã, formada por dois irmãos e o primo. A vida familiar é predominada pela violência psicológica, tornando o ambiente perigoso.

"Os Mujiques",  mujique é a palavra que nomeia a classe pobre na Rússia, o leitor conhece uma família de camponeses que mora em uma aldeia no interior do país. Com pouco dinheiro, e sem alimentos e num frio mortal, a família tenta sobreviver em condições subumanas de vida. O conto termina com os personagens se mudando para Moscou acreditando que podem ter uma vida melhor.

"Em serviço” aborda com sátira uma tragédia que já aconteceu no momento em que inicia a leitura, apresentando um médico veterano, um jovem juiz e um policial da cidade de Sírnia. O livro lança um olhar ácido aos agentes públicos no cumprimento de suas funções.

"No fundo do barranco" narra a história de uma família dona de um armazém, Grigori o patriarca da família está enfrentando problemas, mas decide deixá-lo como herança para a sua nora. A decisão de Grigori e a miséria da cidade desencadeiam um final trágico. 

Publicada em 2011, essa é a terceira edição do livro, traduzida por Rubens Figueiredo, tradutor de russo muito aclamado no Brasil.
A experiência poderia ser mais completa se tivesse contos do início da carreira de Tchekhov para compreendermos a sua transformação da comédia para o drama social, mas Figueiredo selecionou, apresentou e contextualizou as últimas narrativas do escritor, e que serve como "porta de entrada" para aqueles que não conhecem o escritor, mas podem se interessar pela sua obra.

 O contista criticou publicamente a monarquia, e precisou de ajuda de editor favorável ao império para publicar o conto "Os mujiques". Suas narrativas apresentam ao leitor um país onde a economia era agrária e os camponeses sustentavam o governo, e a relação contrastante entre os trabalhadores rurais e a idealizada, e inacessível capital Moscou.
 

   

   Ficha Técnica

   Nome: O Assassinato e outras histórias 

   Autor: Anton P. Tchekhov

   Editora: Cosacnaify

   Número de páginas: 272